MAR ADENTRO
JBS Terminais pode disputar concessão bilionária no Porto de Santos
Experiência em Itajaí fortalece empresa, que aguarda publicação do edital para decidir
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
A JBS Terminais recebeu a imprensa nesta terça-feira, em Itajaí, para apresentar os números da operação à frente dos berços 1 e 2 do Porto, além de um berço público. A empresa assumiu a gestão em outubro de 2024, após quase dois anos de paralisação do porto público. Desde então, a operação voltou a crescer: já são 10 linhas de navegação, 42 mil TEUs movimentados mensalmente e cerca de mil trabalhadores diretos e indiretos na operação.
Com os bons resultados em Itajaí, a empresa aparece como potencial interessada no megaleilão do Terminal de Contêineres Santos 10 (Tecon Santos 10), previsto para acontecer até março de 2026. O projeto, que deve colocar o Porto de Santos entre os 20 maiores do mundo, prevê investimentos de R$ 6,45 bilhões, com contrato inicial de 25 anos, podendo chegar a 70. A área destinada ao novo terminal é de 621,9 mil m², no cais do Saboó, e a expectativa é ampliar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres do porto paulista.
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O edital do arrendamento ainda não foi lançado, e a JBS Terminais diz que aguarda a publicação oficial para analisar se a participação no certame será viável. “Já existem algumas indicações, mas a gente prefere ter acesso à íntegra do material para tomar uma decisão”, comentou o CEO da empresa, Aristides Russi Jr.
Apesar da cautela, Aristides destacou que a JBS tem capacidade para entrar na disputa. “Estamos dando uma prova bastante substancial do que podemos fazer. Retomamos um ativo importante em meio à forte concorrência com terminais privados e já estamos operando com 93% do compromisso firmado”, afirmou.
A empresa diz que acompanha de perto outras oportunidades que estejam alinhadas com o negócio. “Assim que o edital sair, vamos acelerar o trabalho de casa. Nossa companhia é veloz nas decisões. Com o modelo na mão, teremos mais clareza”, completou.
Itajaí aguarda definições
Além do edital do Tecon Santos 10, o governo federal também deve lançar o edital definitivo de arrendamento do Porto de Itajaí. Enquanto isso não ocorre, a JBS Terminais teve o contrato provisório prorrogado por mais dois anos.
Aristides frisou que os gargalos de acesso ao porto, pelas rodovias BR 101 e 470, tanto quanto o canal aquaviário preocupam o mercado. “A BR 101 está estrangulada há muito tempo. Temos discutido com a Fiesc e o governo do Estado para acelerar projetos estruturantes. A falta de acessibilidade impacta na performance e no tamanho dos investimentos”, explicou.
O CEO também comentou sobre a dragagem do canal de acesso ao rio Itajaí-Açu. O contrato atual termina no dia 15 de fevereiro, e ainda não foi lançado edital definitivo nem emergencial. O serviço mensal, feito por uma empresa holandesa, custa R$ 4 milhões e mantém o calado em 14 metros.
“A nossa principal preocupação é o canal de acesso. Temos recebido informações que trazem certa tranquilidade, mas seguimos atentos junto à Autoridade Portuária, à Antaq e ao ministério. Caso o edital definitivo não saia a tempo, o caminho emergencial pode ser a única alternativa para garantir a continuidade da operação”, avaliou.
Conforme noticiado com exclusividade pelo DIARINHO nesta terça-feira, o edital emergencial de dragagem de manutenção do calado, que termina no dia 15 de fevereiro, pode ser lançado esta semana pelo governo federal. Segundo a superintendência do porto de Itajaí, contudo, não está descartado um contrato emergencial se a licitação não for lançada a tempo. O custo do serviço é de R$ 4 milhões por mês para manter o calado em 14 metros.
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Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
