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São Francisco de Assis

Moradores de residencial pedem socorro

Apartamentos, que ficam no bairro Espinheiros, apresentam rachaduras, infiltrações, problemas hidráulicos e elétricos

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]



Os moradores do loteamento São Francisco de Assis denunciam os problemas estruturais que vem enfrentando em suas casas no residencial do bairro Espinheiros, em Itajaí. Há apartamentos com rachaduras, infiltrações, mofo crônico, problemas hidráulicos e estruturais, além de problemas com a fiação elétrica e o desnivelamento.


As 480 famílias que vivem nas moradias financiadas pela Caixa Econômica Federal e prefeitura de Itajaí moram no residencial São Francisco de Assis desde 2018. Três anos após a entrega das chaves, os problemas são de saúde pública.

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A casa do senhor José Santonino Lemos está tomada pelo mofo. O limo pega parte do teto e das paredes laterais. “Já vieram e tiraram fotos, mas não adiantou”, desabafa.

No apartamento da dona Cátia Terezinha Pereira, o problema é outro. O apartamento está desnivelado. A entrada da casa está em uma altura, mas conforme Cátia anda pelo imóvel vai “baixando”, como se o chão estivesse cedendo. Cátia sente medo de uma tragédia.  “Pode desabar tudo com a gente dentro de casa”, alerta dona Cátia.

Marize Til reclama que seu apartamento está com falta de acabamento e a parte elétrica pegou fogo, danificando as tomadas. Outros problemas são o encanamento na parede e o escoamento de água no box do banheiro, que inunda a casa. “Se a gente não fizesse um murinho para aguentar a água, ela invadiria a sala”, conta.

Já dona Berenice Aparecida de Freitas da Cunha diz que alguns problemas foram percebidos logo após a mudança, em 2018, mas a situação foi se agravando com o tempo. Ela cita que o entra e sai de caminhões de mudança fez com que os pisos das casas se soltassem.

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Preocupados com a situação do residencial, os moradores chamaram a defesa Civil, pela primeira vez, cerca de dois meses após a mudança. “A defesa Civil ficou monitorando o prédio. E já pediu que fizessem um muro de contenção”, revela dona Berenice – obra que até hoje não foi feita. Somente os pisos levantados foram trocados.

Estrutura em risco

O condomínio começou a receber a circulação de ônibus de linha e de transporte escolar e isso também mexeu com a estrutura dos prédios, acreditam os moradores. No apartamento de dona Berenice, ela começou a ter problemas com a fossa. Engenheiros da defesa Civil e da Caixa Econômica estiveram no local e constataram rachaduras na fundação da fossa. “Como o prédio cedeu e desceu, ele acabou quebrando os canos, por isso que o esgoto não passava para a fossa e está vazando” explica.

Dona Berenice ainda revela que a defesa Civil fez um laudo, que foi mandado para a defensoria Pública entrar com uma ação coletiva. Só que a ação, por enquanto, não trouxe soluções. “Não temos mais condições de esperar. São crianças especiais, são cadeirantes, são idosos. Nós queremos que isso fique público. Nós só estamos cobrando nossos direitos”, reclama.

Responsabilidade é da construtora

Julcemar Martinho Ferreira, coordenador da defesa Civil, explica que o órgão está fazendo uma verificação dos problemas no residencial e que vai até o local atualizar a situação.

Já a prefeitura de Itajaí, em nota, diz que o município, através da secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habilitação, acompanha semanalmente as demandas dos moradores do São Francisco de Assis.

Todas as terças-feiras os técnicos vão até o residencial para auxiliar os moradores. No entanto, o condomínio foi construído com recursos da Caixa Econômica Federal, que é responsável pelos reparos na obra junto com a construtora.

A prefeitura de Itajaí ainda reforça que trabalhou para intermediar do processo, mas não construiu os imóveis e nem teve responsabilidade sobre a  obra. “Como em qualquer condomínio, a situação deve ser levada aos responsáveis pela obra através dos moradores que se sentem lesados”, explica, em nota, o município.

Já a Caixa esclarece que o residencial São Francisco de Assis foi construído inicialmente pela empresa Itaipú Empreendimentos, através do programa Minha Casa, Minha Vida. A Itaipú paralisou as obras e foi substituída pela construtora Gibraltar, que concluiu a construção e entregou as unidades em 2018.

Segundo a Caixa, as demandas registradas nos canais de ouvidoria são encaminhadas à empresa Gibraltar, que tem resolvido os problemas.

 A Caixa disponibiliza o canal “De Olho na Qualidade” para atendimento das reclamações do Programa Minha Casa, Minha Vida, no telefone 0800-721-6268 ou 4004-0104, ou pelo site www.caixa.gov.br .

 

Berenice lidera moradores

Berenice Aparecida de Freitas da Cunha, 43 anos, a dona Berenice, foi uma das contempladas no programa de moradia popular  em 2018. Aposentada, mãe de quatro filhas, três ainda moram com ela, e duas sofrem com doenças mentais. 

Berenice conta que, assim que chegou ao loteamento, criou um grupo, que mais tarde se tornou a Associação de Moradores do residencial. Ela atuava na parte de projetos sociais, mas deixou a associação e pouco tempo depois os moradores desistiram da iniciativa.

Mesmo sem a associação, dona Berenice segue trabalhando pelos vizinhos do residencial. Ela realiza encontros, confraternizações, coleta alimentos e roupas para as famílias carentes. “Eu consigo doações com igrejas. Às vezes, algumas empresas entram em contato, querendo saber como ajudar. Eu vou passando o endereço de famílias que estão necessitadas. Quando eles não podem, eu mesma distribuo”, conta.  

Mesmo com a pandemia de covid-19, ela não parou com as ações sociais. Berenice organizou a entrevista que os moradores deram o DIARINHO. Ela sonha em ter os problemas do residencial resolvidos antes da chegada do primeiro neto. Uma das filhas está grávida e Berenice espera estar com a casa segura pra receber o neto. 

 

10 blocos colapsaram

Quando o conjunto habitacional São Francisco de Assis foi projetado, a ideia era abrigar 124 blocos de dois pavimentos com quatro apartamentos cada, somando 496 unidades. Só que problemas estruturais fizeram a defesa Civil de Itajaí decretar a demolição de 10 blocos.

Segundo um laudo da defesa Civil de Itajaí, com data de 3 de outubro de 2018, os blocos condenados apresentaram "recalque diferencial acentuado". Três blocos entraram em colapso e outros sete foram condenados à demolição.

Dos 10 blocos, seis foram reconstruídos em outras áreas e mais quatro ainda serão erguidos em outro local. Foram entregues 480 unidades.

As áreas escolhidas para a realocação de seis dos 10 blocos foram os blocos “I” e “M”, que ficaram destinados na área de lazer.

Neste mesmo laudo, um estudo geotécnico da defesa Civil concluiu que no restante do empreendimento não havia recalque diferencial nos blocos, porém não estaria imune ao adensamento residual do subsolo. Ou seja, a construção poderia, com o tempo, sofrer movimentações causadas por ações externas.

 

História do residencial, ano a ano

• 12/2018 – Entrega das chaves das casas

• 1/2019 – Identificados os primeiros problemas nos apartamentos; principalmente na parte elétrica e pisos soltando por conta da movimentação de caminhões

• 2/2019 – Celesc aprovou o serviço de energia elétrica e conseguiram ter luz no local

• 7/2019 – Laudo técnico da Defesa Civil a respeito de vazamento de esgoto que causou erosão do aterro na divisão do radier e contaminação do solo

• 8/2019 – Laudo técnico da Defesa Civil a respeito de vazamento de gás no bloco E15;

• 11/2019 – Laudo técnico da Defesa Civil a respeito de rachaduras no bloco G11;

• 01/2020 – Laudo técnico da Defesa civil a respeito de rachaduras no bloco F12;

• 10/2021 – Moradores ainda esperando a resolução dos problemas nos blocos do residencial 




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