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Alerta

Redes ilegais de pesca podem ser armadilhas fatais para as baleias

Mãe e filhote de jubarte foram salvas na praia Brava. Moradora de Penha denunciou redes no costão da Ponta da Vigia

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Cepsul registrou ao menos sete baleias na costa de Itajaí (Foto: Divulgação)


As baleias-jubarte que passam pelas praias da região chamam a atenção de moradores, mas a presença das grandonas também voltou a alertar sobre o problema das redes ilegais de pesca instaladas em diversos pontos do litoral. Os apetrechos colocam em risco à vida dos animais marinhos, que podem ficar presos e morrer vítimas de afogamento.


Na segunda-feira, voluntários do projeto Anjos do Mar trabalharam na soltura de duas baleias – uma mãe com o filhote – no canto do Morcego -, na praia Brava, em Itajaí, entre o costão do farol de Cabeçudas e a praia da Solidão. Os animais estavam presos em redes de pesca. O coordenador do projeto, Marcelo Ulyssea, relata que a baleia adulta estava presa perto do costão.

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Como já estava ficando escuro, ele cortou a maior parte dos cabos de chumbo e a boia e teve que voltar na manhã seguinte. O filhote estava mais afastado e não foi possível chegar até o local. “Conseguimos ir de SUP [stand up paddle] no fim de tarde e cortar à faca a rede”, relatou. Na manhã de terça-feira, os voluntários voltaram ao local, mas as baleias não estavam mais presas. Três delas foram vistas passeando em Cabeçudas.

A equipe de fiscalização do ICMBio fez uma vistoria na costa pela manhã. Os pescadores, no entanto, já tinham recolhido as redes mais cedo. Marcelo informou que nesse ano foram apreendidas 16 redes clandestinas pela polícia Militar Ambiental. Após denúncias, a colocação de redes ilegais perto dos molhes, Atalaia, Cabeçudas e praia Brava está sendo investigada pelo ministério Público.

O coordenador ressalta que o projeto Anjos do Mar está sem convênio, o que prejudica o apoio às ações de fiscalização. Fora o trabalho da PM Ambiental e de órgãos estaduais e federais, Marcelo critica que as fundações de meio ambiente da maioria dos municípios tem sido coniventes com a situação. “Sem essa conivência, que chama prevaricar, já estaríamos livres dessa mazela que tem refletido nessa mortalidade anual sem precedentes”, acusa.

Conforme o projeto de Monitoramento de Praias coordenado pela Univali, só nesse ano foram registrados 15 casos de encalhe de baleias-jubarte na área monitorada entre o litoral de Santa Catarina e do Paraná. Seis delas foram achadas já mortas ou não resistiram e morreram depois. A maior parte dos animais tinha ferimentos ligados às redes de pesca. Em Santa Catarina, foram nove casos de emalhes de baleias, sendo que seis sobreviveram.

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Redes em Penha

Redes de pesca foram vistas em costão de Penha perto de baleias (Foto: Leitor)

As grandonas também foram vistas nessa semana na costa de Penha. A moradora Carla Kuster, de 62 anos, denunciou a presença de redes feiticeiras, que são ilegais, no costão da Ponta da Vigia, perto de onde foi observada a passagem de várias baleias. “Tememos pelas baleias porque elas estão nadando muito próximas às redes feiticeiras”, alertou.

Carla comentou que ligou para a polícia ambiental, que não pode atender o caso na hora pela falta de embarcações. “Na prefeitura iriam ver o que poderiam fazer, mas a rede continua ali e as baleias também”, contou na terça-feira.

É crime ambiental

São consideradas ilegais redes fixas colocadas a menos de 300 metros de costões ou a menos de 500 metros da desembocadura de rios. O uso de redes feiticeiras, que tem três camadas de malhas, também é proibido. As tartarugas marinhas estão entre as principais vítimas desse tipo de rede.

Observação de baleias tem riscos, alerta Cepsul

Equipe da Cepsul registrou ao menos sete baleias em Itajaí (Foto: Reprodução)

 

A equipe do centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul (Cepsul), órgão ligado ao ICMBio e com sede em Itajaí, recebeu nessa semana diversas denúncias de baleias enredadas na região de Itajaí. Foi feito o monitoramento com embarcação na orla da cidade, onde foram encontradas pelo menos sete baleias da espécie jubarte na costa entre a barra do rio Itajaí-açu e a praia Brava.

Conforme a fiscalização, todas as baleias estavam saudáveis e livres. “Estamos com um grande número de baleias em nosso litoral e infelizmente um grande número de enredamentos em arte de pesca e encalhes em praias”, alertou o órgão. Além das jubartes, que estão em migração para o norte do país, o estado também está na temporada das baleias-franca, que procuram o litoral catarinense pra reprodução e amamentação dos filhotes.

O Cepsul orienta que para observação das baleias com segurança, a embarcação deve manter distância mínima de 100 metros, com o motor engrenado e em neutro para que a baleia possa perceber a presença do barco. Se houver redes próximas às baleias, a orientação é não se aproximar das grandonas, que podem ir pro lado das redes e ficar emalhadas. O órgão ainda alerta pra não mergulhar na água ou tentar nadar com as baleias.

Uma jubarte adulta pode chegar a 35 toneladas e, apesar de não serem agressivas, há risco de acidentes graves. O Cepsul orienta que os pescadores evitem as redes de espera e de cerco na água. No caso de o equipamento ser colocado, o pescador precisa permanecer no local e ficar olhando o tempo todo, fazendo barulho na água ou ligando o motor do barco ao perceber a aproximação de uma baleia.

Cuidados ao avistar animais marinhos nas praias

Elefante-marinho visitou BC semana passada (Foto: Divulgação)

Quando animais marinhos se refugiam nos costões ou aparecem na faixa de areia das praias pra descansar ou  porque estão debilitados, a orientação do projeto de Monitoramento da Univali é que as pessoas mantenham distância.

A dica é não tentar fazer o animal retornar ao mar ou alimentá-lo. Tem que manter animais domésticos longe dos visitantes marinhos. A equipe do projeto atende a ocorrências de encalhes nas praias, com atendimento veterinário de animais vivos e necropsia dos mortos. O serviço pode ser chamado pelo 0800 642 3341, das 8h30 às 17h30.

Um dos últimos atendimentos da equipe foi a um elefante-marinho-do-sul que apareceu na praia do pontal Norte, em Balneário Camboriú, na semana passada. O animal foi avaliado como saudável, ativo e com boa respiração e aproveitou a faixa de areia pra descansar durante a viagem migratória.

Em casos de baleias presas a redes, a orientação do Cepsul é que a pessoa ou o pescador não tente tirar a rede, por se tratar de atividade extremamente perigosa e que deve ser realizada apenas por especialistas.

Como denunciar

Instituto Anjos do Mar

(47) 9789-4602 – Douglas (presidente)

(47) 9682-2010 – Marcelo (coordenador) 

Polícia Militar Ambiental 

(47) 3398-5975 (Balneário Camboriú)

Cepsul Itajaí (ICMBio)

(47) 3348-6058

GM Ambiental

Central 153

IMA (Codam Itajaí)

(47) 3398-6050

Ibama

(47) 3348-1204



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