Matérias | Economia


Grupo Pereira

Cartão de crédito do Fort tem 400 mil clientes

Manoel Pereira, um dos fundadores, conta mais sobre a história da fundação do conglomerado que nasceu em Itajaí

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]

Manoel Pereira é um dos comandantes do grupo, com 80 unidades espalhadas pelo Brasil (foto: FABRÍCIO PITELLA)

O grupo Pereira, um dos maiores varejistas alimentares do Brasil, lançou recentemente a campanha publicitária que comemora os dois anos da marca Vuon Card - cartão de crédito exclusivo dos clientes do grupo - com cerca de 400 mil usuários.


O cartão é aceito nas unidades de negócios de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

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O grupo Pereira, que nasceu em Itajaí, atualmente tem 86 unidades que compõem as bandeiras Fort Atacadista, Comper, Bate Forte e Farmácia SempreFort. Além disso, emprega cerca de 15 mil colaboradores.

Para falar sobre o início deste conglomerado, com DNA itajaiense, o DIARINHO entrevistou um dos fundadores, o empresário Manoel Pereira, de 71 anos, atual vice-presidente de Patrimônio e Expansão do grupo. Confira a entrevista completa.

DIARINHO - O senhor e a sua família são de Itajaí? Como começou a história de vocês na cidade?                   

Manoel: No início, foi o comércio. Meu pai e minha mãe começaram com um pequeno armazém e as coisas foram seguindo... Em 1972, nós montamos a nossa primeira loja de supermercados, que foi o Comper, aqui na avenida Sete de Setembro. E daí expandimos bastante. Em 1984, fomos pra Campo Grande. De Campo Grande, nós fomos pra São Paulo, Mato Grosso. Depois, pra Goiás e pro Distrito Federal. Agora estamos indo também para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

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DIARINHO - O senhor continua vivendo na região? O que mais gosta de fazer quando está por aqui?

Manoel: Sim. Eu gosto do mar e gosto de sítio. É o que eu gosto de fazer. E passear na cidade, tomar um chopinho no nosso Mercado Público, ir na Marina, enfim, aqui tem muitas opções para a gente se divertir e passar um bom tempo.

DIARINHO - A matriarca, dona Trude, chegou aos 90 anos. Ela se casou no ano de 1946 e deu início a uma grande família de comerciantes, que fundou uma das maiores redes varejistas do Brasil. Dona Trude gosta de curtir as lojas e sempre teve carinho pela pioneira, o Comper da avenida Sete de Setembro, no centro de Itajaí. Sempre foi comum vê-la no local, conversando com funcionários e clientes. Que lição sua mãe e seu pai (já falecido) deixaram?

Manoel: Ah, muitas. O pai e a mãe foram nosso exemplo em todos os sentidos. Além de serem grandes comerciantes,  também como pessoas. Hoje a empresa é o que é, com seus valores, com crescimento. Tudo devemos ao pai e à mãe, que nos ensinaram a base. Os pilares do comportamento. Meu pai e minha mãe são os responsáveis. Nós demos uma pequena contribuição de seguir adiante. Mas todos os méritos são do meu pai e da minha mãe.

 

"A união  da família nos ajudou a chegar lá "

 

DIARINHO - O grupo Pereira começou em 1962. O senhor pode contar como aconteceu a transição de uma rede de supermercados comum para a iniciativa de ser uma das primeiras redes de atacadistas do Brasil?

Manoel: Importantíssimo eu falar disso, além dos ensinamentos do meu pai e da minha mãe, tanto como pessoas quanto como a área do comércio. Os dois eram muito comerciantes. Além dos princípios e do comércio, tem uma coisa importantíssima: a união da família. Nós somos em sete e os sete são acionistas. E dificilmente dá certo isso. A não ser que a gente tenha realmente propósitos firmes. Esse aqui é o nosso caminho. Juntos nós vamos ser fortes. Separados vai ficar difícil pra todo mundo. E teve uma coisa que nós colocamos lá atrás, que foi o seguinte: “Vamos cuidar da empresa”. O que é bom pra empresa é bom pra família. Porque toda família depende da empresa. O que é bom pra família é bom pra nós, o que não é, não serve. Resumindo: um dos segredos foi a união. A gente trabalhar junto. E nós fomos extremamente trabalhadores, nós fomos muito trabalhadores. Nós trabalhamos mesmo, não é brincadeira, não. Nós trabalhamos de verdade! E com união. A gente, no dia-a-dia, porque cada um tem uma função dentro da empresa. É óbvio que, numa empresa dessas, com 86 filiais e 15 mil funcionários, a gente tem o nosso pega-rabo, porque nós pensamos diferente. Mas uma bateria também é diferente. Qual é o valor da bateria? É ter um polo positivo e ter um polo negativo. Mas, se não tivesse isso, essa bateriazinha, desse tamanho, que toca motores de navios, de jumbo... Porque pensamos diferente, mas quer dizer que acontece o consenso. Você tem que ouvir. Um pensa uma coisa, outro pensa outra. Nós somos essa turma toda, cada um pensa de uma forma, mas sempre obedecemos a maioria. Um consenso. E aí, graças a Deus, até hoje é assim, e há de continuar, é a união. A gente trabalha junto, brigamos, dentro do trabalho, mas nós nos amamos. A gente se adora. E quando estamos juntos é uma festa. Nós realmente nos damos muito bem. Resumindo a sua pergunta: união. A união nos ajudou a chegar lá.

DIARINHO - Quantos colaboradores vocês dispõem? A administração do grupo ainda está em Santa Catarina?

Manoel: Ela está dividida. Hoje nós temos 15 mil funcionários e agora estão saindo mais 10 novas lojas, que devem aumentar mais 2500 funcionários. Nós vamos pra 17 mil e 500 funcionários. E, por exemplo, a expansão do grupo, a expansão e o controle de imóveis, ainda fica em Santa Catarina. A área comercial é em São Paulo, porque lá está mais próximo das indústrias, dos fornecedores. E hoje a administração e o financeiro ficam em Campo Grande [MS]. Está dividido entre esses estados.

DIARINHO - O grupo passou por momentos delicados em sua trajetória, vivenciou períodos econômicos difíceis do país, com a inflação alta, confisco de valores, alta do dólar etc. Como empresário, que lição daria a quem está começando e teme essa instabilidade econômica do Brasil?

Manoel: Quando falam que o Brasil não é pra estagiário, é verdade. Aqui você tem que ter coragem. Mas é um país de imensas oportunidades. E não seja pessimista. Não escute muita gente que nunca plantou um pé de couve, entendeu? Olhe os exemplos. Olhe pra frente. Seja otimista. E pense o seguinte: se alguém fez, eu também posso fazer. Tenha coragem, não se deixe influenciar muito por más notícias, porque isso realmente atrapalha. Você acorda de manhã já ouvindo coisas ruins, não? Procure ouvir coisas boas. E, acima de tudo, tenha bons pensamentos. Pense positivo. Não pense negativo. Lógico, tome todos os cuidados, faça a conta... Tem que fazer a conta. Não seja aventureiro. Faça as coisas com pé no chão, mas com otimismo. E tenha bons pensamentos. Pense positivo que você vai chegar.

 

" Hoje nós temos 15 mil funcionários e estão saindo mais 10 novas lojas, que devem aumentar mais 2500 funcionários"

 

DIARINHO - Hoje o grupo Fort tem 44 lojas em três estados diferentes. O plano é chegar a 50 unidades até o fim do ano. Itajaí vai ganhar uma nova loja na avenida Contorno Sul. Como é definida a estratégia de abrir as novas lojas? Como as cidades e os bairros, que receberão os investimentos, são definidos pelo grupo?

Manoel: Temos 86 unidades de negócios e entre elas, 40 e poucos são Fort Atacadista – hoje representam 70% do nosso negócio. De todo nosso negócio, o Fort representa 70%. A nova loja obedece a um estudo pra ver a população, a renda. Antes de abrir, tem uma série de coisas que você tem que estudar. Por exemplo, uma das coisas: essa atividade é minha na empresa, eu que toco a expansão. Uma coisa básica, bem basicazinha, é a seguinte: é passagem e não destino. Quer dizer, se você colocar a tua loja, se for de supermercado, floricultura, ou do que você quiser, qualquer comércio, barco, lancha, não importa... Se você colocar na passagem, o seu cliente vai passar pela frente já. Se você colocar no destino, você vai ter que gastar com publicidade, você vai ter que ter mais agressividade em preço, pra fazer teu cliente ir até lá. Então, primeiro, passagem. Faça teu negócio na passagem, onde passam as pessoas. Eles vão ver a tua empresa, eles vão entrar. Isso facilita. Segundo, aí tem a renda, tem o poder de consumo da região. Tem que ser bem estudado isso, levado a sério. Porque, depois de você implantar uma loja, não tem mais volta. Se não der certo, vai ser um prejuízo muito grande. Você tem que tomar certos cuidados, e fazendo as coisas certinho, você tem chance de prosperar.

DIARINHO - Como se sente completando duas décadas, junto com seus irmãos, na administração da rede Fort? Quais seus planos pro futuro?

Manoel: Hoje nossa empresa é familiar, onde a família que gere o negócio. E assim nós pretendemos seguir. E temos muitos planos, muitos sonhos. E com a ajuda de Deus e nosso esforço, nossa vontade e a nossa união, nós seremos bastante grandes. E pra onde a gente quer ir, eu diria: o céu é o limite. Aonde dá, nós vamos. Até aonde puder chegar, nós vamos chegar. E pedir pra Deus saúde, que a gente tenha sempre juízo, fazendo as coisas certas. E vamos crescer, gerar emprego. E uma coisa interessante, nós nunca pensamos assim, em dinheiro, não, não pensamos. Nós gostamos de fazer, de executar, sabe? Uma coisa, por exemplo, que me deixa feliz é quando eu vou inaugurar uma loja, o que me dá mais alegria é transformar um local. Transformar aquela região. Por exemplo, aqui, nós vamos colocar uma loja na Contorno Sul, onde era o Lar Fabiano de Cristo. Hoje, ali, é um lugar relativamente feio. Com o nosso empreendimento, nós temos a felicidade de mudar tudo aquilo. Iluminar, tirar aquelas coisas antigas, fazer um prédio novo, gerar emprego e, acima de tudo, modificar o local, melhorar o local... Não só pra nós, mas para todos em torno de uma nova loja. Isso eu acho que é o mais importante, que me dá mais alegria. Modificar o local onde a gente abre uma nova loja, melhorar para as pessoas e para todos que vivem na região.

 

Conheça o V

O avatar V, que é o protagonista da campanha, é democrático, comunicativo e não tem gênero. Ele recebeu esse nome por ser virtual, versátil e ainda entender tudo sobre economia doméstica, explica o marketing do grupo.   

O avatar estará nas lojas físicas anunciando aos clientes os descontos proporcionados pelo cartão, que podem chegar a 15% em vinhos, 10% em azeites selecionados, 10% em achocolatados, além de produtos pets e outras promoções com prêmios.

 



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