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Covid

Checar anticorpos não é seguro

Exames pós-vacina se popularizam, mas não tem recomendação oficial para confirmar imunidade ao coronavírus

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Resultados podem ser inconclusivos ou limitados (Foto: João Batista)

Com o avanço da vacinação, aumentou a procura de pessoas vacinadas pelo teste de anticorpos neutralizantes para covid-19. O exame é visto como opção para “comprovar” se a vacina fez efeito e está produzindo anticorpos, mas não tem recomendação oficial de órgãos de saúde no Brasil devido aos resultados inconclusivos e limitações no diagnóstico.


Os testes podem ser mais ou menos eficientes conforme a metodologia usada, que tem por base ensaios qualitativos feitos pelos fabricantes. O exame é do tipo sorológico, que usa amostra de sangue pra identificar a presença de anticorpos capazes de neutralizar a ação do coronavírus. Os anticorpos podem ser produzidos após a vacinação ou depois da infecção. Por isso, também há interesse pelo teste por pessoas recuperadas da covid preocupadas com a reinfecção.

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A professora Ana Angélica Steil, doutora em imunologia, lembra que a sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) desaconselha a testagem de anticorpos pra avaliar a eficácia das vacinas. A nota técnica da entidade considera que os resultados não traduzem a situação individual de proteção diante da complexidade da imunidade pós-vacina ou pós-infecção.

“A resposta imunológica contra um determinado vírus, no caso o Sars-Cov-2, não depende só dos anticorpos neutralizantes, mas também de outras formas de resistência”, ressalta a médica. Ela explica que, além da proteção de anticorpo, existe a imunidade celular, criada por um tipo de célula que mata células infectadas pelo vírus. O sistema ainda atua com a estimulação de outras células que liberam defesas contra a covid-19.

Diante da forma ampla que o organismo reage, Ana avalia que mesmo se a pessoa não fizer uma boa resposta de anticorpo, não quer dizer que ela não fará uma boa resposta contra o vírus. “Então é desaconselhável [o teste de neutralizantes]. É jogar dinheiro fora, praticamente. A não ser que seja feito em estudo, mas em estudo é de forma populacional, não em um indivíduo”, considera.

A professora explica que os testes sorológicos pra saber se a vacina criou imunidade não são recomendados porque o resultado não permite uma conclusão isenta de erro, sendo preferível não fazer. “Basicamente porque não se sabe a quantidade de anticorpos necessários pra prevenir a doença”, afirma.

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Segundo ela, o resultado positivo (reagente) não significa necessariamente que a pessoa está protegida, enquanto que o negativo (não-reagente) pode ser reflexo de uma baixa sensibilidade do exame, gerando o conhecido “falso negativo”. “Pode parecer que a pessoa não está protegida, mas ela pode estar. Ou porque o teste não está pegando o anticorpo ou porque ela está fazendo pouco anticorpo, mas está fazendo outras respostas [imunológicas]”, destaca.

Resultado é seguro, diz chefe de laboratório

O coordenador do laboratório de Análises Clínicas da Univali, Fernando Cordeiro, defende que os resultados do exame na unidade são seguros. A metodologia usa o teste de eletroquimioluminescência do laboratório Roche, considerado um dos mais precisos. O tipo tem índices de 99,5% de sensibilidade e 99,8% de especificidade, podendo indicar, segundo Fernando, que o paciente está imunizado.

Ele ressalta que nenhum teste dá garantia de 100% de proteção, considerando que a produção de anticorpos e o tempo de imunidade ainda são alvos de estudos. O coordenador, que é bioquímico e microbiologista, destaca também as diferenças entre as vacinas e a circulação de variantes do vírus, como a nova cepa indiana que já chegou ao Brasil e ninguém sabe  como vai se comportar.

“O resultado positivo não quer dizer que a pessoa está imune pra sempre e não dispensa os cuidados sanitários”, frisa. Conforme Fernando, o teste feito na Univali dá segurança pra quem quer, por exemplo, fazer visitas ou reuniões, e só não serve pra anticorpos da vacina AstraZêneca.

Para o especialista, a não recomendação dos testes pela Anvisa reflete um zelo diante da necessidade de mais estudos, acreditando ser uma questão de tempo até que o órgão passe a indicar oficialmente. A procura pelo teste na Univali aumentou após a vacinação. O serviço começou com três exames diários, passou pra d10 e chegou ao atual patamar, entre 20 e 30 exames por dia.

“Até agora todas as pessoas que tiveram a produção de anticorpos não pegaram covid”, afirma Fernando. A coleta deve ser após 14 dias dos sintomas ou da segunda dose da vacina. Em outros testes no mercado é 21 dias após a infecção ou 30 dias da última dose da vacina. O exame na Univali custa R$ 100 para o público em geral e R$ 80 pra tem ou teve vínculo com a universidade. Na região, o preço gira em torno de R$ 250.

Anvisa aponta falta de evidência científica

 Imunologista explica que a defesa do organismo não depende só de anticorpos

Em nota técnica, a agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que os exames aprovados no país só podem ser feitos dentro de suas limitações e não devem ser usados pra determinar proteção vacinal.

O órgão ressalta que, pra garantir a proteção, seja pela imunidade pós-infecção ou pós-vacina, ainda é preciso estudos da quantidade necessária de anticorpos à efetividade da defesa, sobre a duração dos anticorpos no organismo e qual sua capacidade de neutralização.

Também não há embasamento científico, conforme a Anvisa, que relacione a presença de anticorpos com imunidade à reinfecção, às formas graves da doença ou às novas variantes, devendo ser mantidos os cuidados preventivos independentemente do resultado do teste.

Em Santa Catarina, a diretoria Estadual de Vigilância Epidemiológica (Dive) segue o mesmo entendimento e não indica os testes para vacinados. “Não há evidência científica de que a ausência ou a presença de anticorpos após a vacinação seja considerada uma eficácia clínica das vacinas”,  conclui a nota do órgão.

 

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