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Balneário Camboriú

Passeio compartilhado da nova ponte da marginal não atende normas técnicas

Especialista fez um teste no local e comprovou que as medidas estão fora dos padrões mínimos recomendados

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]

Ciclofaixa deveria ter largura mínima de 1,5 metro (foto: João Batista)


As obras da nova ponte da BR-101 sobre o rio Camboriú, no sentido norte, voltaram a causar polêmica nessa semana. Depois do desalinhamento entre a cabeceira da estrutura com a via marginal ter virado memes na internet, agora a queixa envolve o passeio compartilhado, estreito demais para a passagem de ciclistas e pedestres.


Conforme o manual de sinalização do conselho Nacional de Trânsito (Contran), a recomendação para ciclofaixa com sentido único é de largura mínima de 1,5 metro. Se for ciclofaixa com sentido duplo, o mínimo recomendado é de 2,5 metros.

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O manual de Travessias Urbanas do departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) recomenda uma largura de três metros para ciclovias com dois sentidos, podendo ser de 2,4 metros em alguns casos, conforme o perfil de tráfego.

A concessionária Arteris Litoral Sul afirma que o passeio da ponte marginal tem largura livre de 1,35 metro. Nas cabeceiras, a largura total é de 1,5 metro. Para a empresa, as medidas atendem as necessidades. “O espaço, que foi construído atendendo as normas técnicas aplicáveis, proporciona o trânsito de forma segura e compartilhada de pedestres, cadeirantes e ciclistas pelo local”, diz a nota.

O presidente da associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú (ACBC), Henrique da Silva Wendhausen, analisa que, em termos técnicos, 2,25 metros é o padrão mínimo aceitável para uma ciclovia de mão dupla. Segundo avalia, a passagem na ponte, ainda sendo uma travessia compartilhada, é perigosa na hora em que um ciclista vai passar pelo outro.

Henrique ainda ressaltou que as bicicletas de hoje, com aro 29, são maiores e tem o guidom mais largo, o que dificulta ainda mais a passagem. Diante da queixa dos usuários, Henrique esteve na ponte no sábado conferindo a situação. Ele fez fotos mostrando a distância que um guidom fica do outro, com bicicletas de aro 26, que tem guidom menor.

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O teste demonstrou dificuldade e aponta que a situação seria ainda pior com bicicletas de aro 29, com guidom mais largo. “O pessoal vai ter uma grande dificuldade. Sempre que tiver de passar um pelo outro, alguém vai ter que desmontar da bicicleta ou ter que parar, que foi o meu caso”, relatou.

Henrique alerta ainda para uma condição de insegurança pra quem estiver indo de bicicleta no sentido do bairro da Barra pelo lado direito do passeio e ter que dividir o espaço com outra pessoa. “Não é que ela vai cair em cima da pista [da rodovia], mas há uma situação que pode acontecer, no esbarrar o guidom, a pessoa ter que se apoiar em cima do muro que está do lado da pista”, considera.

Espaço compartilhado

Segundo o presidente da associação, a largura mínima para o local deveria considerar que uma bicicleta vai passar pela outra e que o conflito pode ser maior quando for grupos de ciclista, inclusive indo no sentido contrário. Henrique reconhece que o espaço, que funciona como uma calçada compartilhada, é melhor do que nada, mas frisa que não está adequado.

“Em vista do que era o acostamento da rodovia antigamente, com os caminhões passando junto dos ciclistas, é claro que a segurança aumentou, mas que a largura ali está totalmente fora dos padrões, está”, afirma. “Por ser um espaço compartilhado teria que ter o maior tamanho possível e isto poderia ter sido executado porque há espaço para tal”, critica.

Na travessia compartilhada, a legislação garante a preferência do pedestre em relação a outros veículos. No caso de um pedestre e um ciclista vindo na mesma direção ou em sentido contrário, a prioridade de passagem será sempre do pedestre. Ainda em 2013, a associação de ciclismo chegou a pedir a implantação de ciclovia ou ciclofaixa nas marginais da BR-101. O ministério Público também cobrou a medida. A alegação da empresa seria que a obra não fazia parte do projeto.

Obra fica pronta em junho

A etapa final das obras na ponte da marginal leste começou em março, com previsão de término em junho. Os trabalhos se concentram no encaixe das cabeceiras, incluindo o alinhamento da cabeceira do lado do bairro da Barra com a via marginal. A passagem pra pedestres e ciclistas está liberada. As obras da ponte da marginal oeste, no outro lado da BR, começaram em fevereiro, com prazo de 18 meses pra conclusão.

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