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Pesquisa Nacional de Saúde

Violências física, psicológica e sexual atingem 13% dos catarinenses

Mulheres e jovens estão entre as principais vítimas, mostram dados coletados pelo IBGE

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]

No trânsito, pesquisa apontou que uso de capacete por passageiro de moto e do cinto de segurança no banco de trás é menos comum (foto: joão batista)


A violência atingiu 13% da população de Santa Catarina, entre casos de violência sexual, física e psicológica, segundo dados da pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, feita pelo IBGE. Mulheres e jovens estão entre as principais vítimas. O estudo abordou ainda temas como segurança no trânsito, doenças sexualmente transmissíveis e atividade sexual dos brasileiros.


O percentual de casos de violência representa a segunda menor proporção em relação à população no país, mas em números absolutos são quase um milhão de pessoas afetadas. A pesquisa considerou tipos de violência ocorridos em casa, no trabalho, na rua ou na internet.

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A violência psicológica é a que ocorre mais frequentemente, atingindo 12,7% dos catarinenses com 18 anos ou mais, representando o 2º menor índice no país. A violência sexual foi sofrida por 3,8% das pessoas, também a segunda menor taxa nacional, afetando 216 mil catarinenses.

A maior parte das vítimas de violência sexual é mulher – 174 mil –, numa proporção de quatro a cada cinco pessoas. O estudo ainda mostra que esse tipo de violência subiu 5,9% entre a população mais jovem, na faixa de idade entre 18 e 29 anos. Os casos de violência física vêm em seguida, atingindo 3,1% da população, sendo a 3ª menor média nacional.

Em Santa Catarina, as violências física e psicológica têm menor diferença entre os sexos, mas as mulheres seguem entre as principais vítimas. Os casos de agressão foram sofridos por 3,2% das mulheres e 3,1% dos homens. Os casos de violência psicológica afetaram 13,5% da população feminina e 11,7%, da masculina.

A situação no estado reflete parte do cenário nacional, onde o estudo aponta que mulheres, jovens, negros e pobres estão entre as principais vítimas. No Brasil, foram 29,1 milhões de pessoas que sofreram violências física, psicológica ou sexual em 2019, sendo 19,4% delas mulheres e outros 17% homens. Os registros de violência psicológica respondem pela maioria dos casos.

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Os casos de violência têm o maior percentual entre jovens de 18 a 29 anos, representando 27% dos pesquisados. Pessoas pretas (20,6%) e pardas (19,3%) sofreram mais com a violência do que as pessoas brancas (16,6%). A pesquisa ainda mostra que a violência atinge 5,6% mais os mais pobres, com renda até 25% do salário mínimo.

Mulheres são vítimas de parentes

Apesar da incidência de mais casos de violência entre a população com menor rendimento, a coordenação da pesquisa considera que não se pode fazer uma correlação direta entre violência e pobreza em razão de outros fatores envolvidos, como o machismo e o racismo.

O estudo mostra que companheiro, ex-companheiro, namorado e ex-namorado ou parentes foram os principais agressores das mulheres que sofreram violência sexual (53,3%), física (52,4%) e psicológica (32%). Elas relataram que os casos de violência também ocorrem mais frequentemente dentro de casa.

A violência psicológica envolve desde gritos e xingamentos até ofensas e ameaças, incluindo a exposição da vítima nas redes sociais. Os casos mais comuns relatados pelas mulheres foram de gritaria, ofensas e humilhação na frente de outras pessoas. Esse tipo de violência, segundo o estudo, é o mais comum praticado por parentes ou parceiros contra mulheres no ambiente familiar.

No caso de violência física, o tipo de situação mais relatado tanto por mulheres como por homens foi de ser empurrado, ter sido segurado com força ou ter algum objeto jogado em sua direção pra machucar. Em segundo lugar aparecem tapa ou bofetada, relatado por 47,6% das mulheres e 37,5% dos homens. Ameaças ou ferimento com faca e uso de arma de fogo foram casos mais relatados pelos homens.

Menos comum o uso de capacete por passageiro e de cinto de segurança no banco de trás

No trânsito, pesquisa apontou que uso de capacete por passageiro de moto e do cinto de segurança no banco de trás é menos comum

O estudo nacional mostra Santa Catarina distante dos estados em que o uso de capacete pelo passageiro de motocicleta é mais frequente. O estado aparece com o índice de 86,7%, figurando na 14ª posição. Melhor resultado foi apresentado entre os motociclistas que usam o capacete, somando 95,8% dos condutores, o 6º melhor índice no país.

Santa Catarina também foi destaque no uso do cinto de segurança, com percentual de 90% dos motoristas informando que não se descuidam da proteção. O índice está acima da média nacional, que foi de 79,7%. O uso do cinto no banco de trás, no entanto, é menos comum no estado, com 63,3% de adesão, mas ainda acima da média do país, que foi de 54,6%.

Outro fator levantado pela pesquisa diz respeito ao uso do celular ao volante ou na condução de motocicleta. Os indicadores nacionais mostram que 30% das pessoas usam o aparelho durante a condução, seja com frequência ou em raras vezes.

A falta de cuidados e do uso de equipamentos de segurança no trânsito está ligada às ocorrências de acidentes, que são uma das principais causas de mortes no mundo e consideradas um problema de saúde pública.

Em 2019, cerca de 3,9 milhões de pessoas (2,4% da população) responderam ter sofrido acidente de trânsito nos 12 meses anteriores à entrevista. Entre as que tiveram algum tipo de lesão, quase a metade (48,2%) teve que se afastar de atividades do dia a dia, como trabalho e lazer.

O estudo aponta que mais da metade (59,5%) dos acidentes de trânsito com vítimas foram com condutores de moto. Os homens são a maioria das vítimas que tiveram alguma sequela física permanente decorrente do acidente.

Saúde sexual

Conforme a pesquisa, 21,4% dos catarinenses declararam usar camisinha em todas as relações sexuais, em índice que deixou o estado na 16ª posição nacional. O uso de preservativos é maior entre as pessoas mais jovens e com mais escolaridade.

A utilização é de 35,5% na população entre 18 e 29 anos, e vai reduzindo conforme avança a idade das pessoas. Na relação com a escolaridade, o uso da camisinha é de 27,8% entre moradores com ensino superior, caindo pra 10% entre as pessoas sem instrução ou ensino fundamental incompleto.

A iniciação sexual no estado começa, em média, aos 17,2 anos, seguindo o mesmo patamar nacional. Pessoas entre 18 e 29 anos responderam que começaram a atividade sexual mais cedo, aos 15,9 anos.

O estudo também levantou a incidência de doenças sexualmente transmissíveis. As regiões Sul e Norte aparecem com os índices mais altos de infecção sexualmente transmissível. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná somam 170 mil pessoas que relataram diagnóstico de alguma doença, sendo mais de 70% delas mulheres.

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