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Cemitérios

Lotação é um grave problema na região

As alternativas para minimizar o problema passam pela cremação social e construção de cemitérios verticais

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]

Itajaí registrou aumento de 100% das mortes em abril em relação ao mesmo perído do ano passado (foto: joca baggio)


O aumento das mortes desde o início da pandemia vem expondo com mais gravidade um problema que as cidades da região da Amfri enfrentam há anos: a superlotação nos cemitérios. Em abril de 2020, 112 pessoas morreram em Itajaí. Já no mesmo período deste ano foram 226 certidões de óbitos. O aumento é de mais de 100% e também é registrado em outros municípios. Para tentar driblar a falta de espaço para os sepultamentos, as prefeituras da região estão investindo em cremação social e cemitérios verticais. Muitas famílias que, anos atrás, não imaginavam cremar seus mortos, acabaram optando pelo sistema.


O agente funerário Fábio José Till, do grupo Santa Catarina Assistência Familiar, com unidades comerciais ou funerárias em 14 municípios, crematórios em Itajaí e Joinville e cemitério em Navegantes, diz que somente em Itajaí a empresa realizou 90 atendimentos em abril, entre cremações e sepultamentos tradicionais. “Antes da pandemia os atendimentos na cidade geralmente passavam de 80 por mês”, destaca. A estatística engloba sepultamentos em cemitérios públicos e privados e cremações sociais e particulares.

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Com relação ao aumento no número de procedimentos no Athenas Crematório de Itajaí, Till conta que chegaram a 120 no mês passado, ante a média de 50 até março do ano passado. “Além das pessoas estarem mais conscientes com relação às questões ambientais, os cemitérios públicos estão lotados, e quem não tem jazigo ou túmulo de família precisa comprar a área em cemitérios particulares.

Foi o que fez Giselle. Seu pai foi mais uma das vítimas da covid-19 na região e ela optou pela cremação por questões econômicas. “Um terreno em um cemitério particular próximo a Balneário Camboriú custa R$ 5 mil e as taxas anuais de manutenção chegam a R$ 1 mil. A cremação teve um custo único de R$ 2,6 mil”, conta. Esse custo, praticado pelo Athenas, engloba o uso de uma das capelas mortuárias para o velório, o serviço de cremação e a entrega das cinzas em urna de madeira.

No Crematorium Vaticano, de Balneário Camboriú, o custo inicial dos serviços, incluindo velório, cremação, cerimônia e entrega das cinzas em urna simples em resina fica em R$ 3,5 mil no plano preventivo e R$ 5,69 mil no pronto-atendimento. “O aumento no número de cremações no último mês, em comparação com abril de 2020, foi de 35%”, explica o gerente Odair Luciano Pereira.

O Vaticano não realiza a cremação social.  “A cremação ainda é vista com certa resistência por pessoas mais velhas, acho que por questões religiosas, mas tem sido mais aceita no último ano, não sei se pelas questões econômicas ou por uma maior conscientização”, arremata Till.

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No entanto, ele diz que ainda há muitas famílias que, após a cremação, fazem questão de sepultar as cinzas, geralmente em túmulos familiares.

Balneário tem cremação e cemitério vertical

Balneário Camboriú conta apenas com um cemitério público, no bairro da Barra, que está lotado há vários anos. Inclusive, em 2017 o Departamento de Patrimônio e Serviços Públicos do município construiu ossuários em caráter emergencial para armazenar os restos mortais retirados de sepulturas que estavam abandonadas, liberando assim 680 vagas. “Na época tínhamos vagas que supririam nossa demanda por no máximo quatro meses”, explica a diretora Cláudia (Zezé) da Costa Wolff.

Não bastasse essa medida emergencial, o município licitou serviços de cremação social. A empresa vencedora foi o Athenas Crematório, de Itajaí, ao custo de R$ 970 a cremação com traslado partindo da capela do Cemitério da Barra e custo zero para a família.

No entanto, em praticamente dois anos foram realizadas apenas 80 cremações. “Muitas pessoas não aceitam a cremação social porque querem a tradição do sepultamento, com cerimonial e tudo. São paradigmas culturais e religiosos que ainda precisam ser quebrados”, acrescenta Cláudia.

Verticalização

A construção dos cemitérios verticais tem sido a alternativa para Itajaí e Balneário Camboriú mitigarem a superlotação dos cemitérios públicos. O cemitério Municipal do Fazenda já conta com 18 blocos com 4,4 mil gavetas para os sepultamentos custeados pelo Município. Tem ainda mais um bloco em construção que vai aumentar o número de gavetas em mais 248 unidades nos próximos meses. Só que essas medidas são paliativas, uma vez que o local tem apenas área para construção de mais um ou dois blocos de gavetas, no máximo. “O volume de sepultamentos no município cresceu 20% do ano passado para este”, explica a gerente do cemitério, Daniela Maes.

Em Balneário Camboriú o município construiu anexo à necrópole da Barra um cemitério vertical ecológico, primeiro do estado certificado com o Selo Verde, com 377 gavetas em fibra de vidro, sistema de tratamento de efluentes gasosos e monitoramento informatizado. O investimento foi de R$ 700 mil e a tecnologia já é usada em diversas capitais brasileiras.

“O sistema ainda permite que, passado um determinado período, os corpos sejam exumados e transferidos para outras áreas do cemitério em pequenas urnas, liberando assim novas vagas”, diz Cláudia. Em cerca de um mês já foram ocupadas 24 das 377 gavetas.

Camboriú lança licitação pra contratar cremação

Camboriú lançou edital pra contratar empresa pra fazer cremação social e resolver lotação

A cremação social tem sido uma alternativa cada vez mais utilizada pelos municípios na tentativa de minimizar os problemas de superlotação dos cemitérios públicos. Superlotados, esses locais dispõem atualmente apenas de gavetas em cemitérios verticais. Nas sepulturas convencionais, têm espaço garantido apenas aqueles que já possuem propriedade de túmulos ou jazigos com espaço livre.

Camboriú, por exemplo, lançou esta semana uma licitação de R$ 896 mil para a contratação de serviços de cremação social. O município conta com dois cemitérios públicos, um no centro e outro na localidade de Rio do Meio, que estão superlotados. O município já oferece a cremação social desde o ano passado e é vista pelo secretário de Obras, Alexandre Silveira, como uma boa opção para desafogar os cemitérios públicos.

Além disso, representa uma economia de R$ 167 por procedimento. “O sepultamento custa em torno de mil reais para o município, e a cremação com traslado sai por R$ 833”, acrescenta.

Itajaí também avalia a possibilidade da cremação social. São dois cemitérios públicos, nos bairros Fazenda e Espinheiros, no município, que operam no gargalo.

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