Matérias | Geral


Itajaí

Calçadas mal cuidadas são armadilhas para pedestres no centro da cidade

Os problemas vão da falta de manutenção e padronização dos passeios ao descaso do poder público com a fiscalização

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]

Carrinhos de bebê ou de carga enfrentam desafio extra (foto: da redação)


Eloiza, 81 anos, caminhava a pé pela rua Gil Stein Ferreira em direção ao consultório do médico cardiologista, quando pisou em falso e se não tivesse sido segurada pelo filho, teria caído em frente à praça dos Correios, no centro de Itajaí. Uma queda que na sua idade poderia ter danos sérios na saúde. Casos como esse são recorrentes não apenas nesse ponto da cidade, mas na grande maioria das calçadas das ruas centrais e da periferia, que não recebem manutenção nem dos proprietários dos imóveis e nem fiscalização do poder público.


A falta de manutenção gera situações incômodas para idosos que têm condições de locomoção limitadas e torna inacessíveis os espaços para cadeirantes e deficientes visuais.

Continua depois da publicidade



O servidor público Alexandre de Freitas convive com os problemas de acessibilidade há mais de 30 anos, desde que sofreu um acidente com fratura no pescoço e lesão medular. Desde então sua locomoção é a cadeira de rodas. “As calçadas não são padronizadas, faltam rampas de acesso [e quando têm, muitas estão fora dos padrões], o que impossibilita o cadeirante de subir. A cidade apresenta muitos outros problemas que dificultam nossa mobilidade. Simplesmente não temos calçadas para andar em Itajaí, precisamos nos locomover pelas ciclovias, quando tem”.

Outro grave problema é com relação ao transporte público. “Ainda é pequeno o número de veículos adaptados com elevadores para cadeirantes e, quando tem, é comum estarem avariados. Esse é um grande problema que enfrentamos diariamente”, completa Jilsomar Couto de Souza.

A realidade é tão ou mais difícil para o deficiente visual. A falta de faixa com piso tátil direcional nas calçadas é uma constante, assim como a dificuldade de utilização do transporte público. Jairton Fabeni Domingos, diretor geral da Associação dos Deficientes Visuais de Itajaí e Região (Advir), diz que a acessibilidade do deficiente visual em Itajaí já foi pior, mas que ainda falta muito para chegar ao ideal.

“Para se ter uma ideia, o terminal rodoviário e o prédio da secretaria de Assistência Social de Itajaí não são acessíveis aos deficientes visuais”, analisa. Ainda segundo Fabeni, postos de saúde, a recém construída praça da Igreja Matriz e outros órgãos municipais não têm piso tátil direcional, o que mostra certo descaso com o deficiente. Outros problemas são as lixeiras aéreas nas calçadas, colocação de entulhos e veículos estacionados de forma irregular. “Postes no meio do piso tátil também são bem mais comuns que se possa imaginar”, acrescenta.

Continua depois da publicidade



No caso do transporte público, os maiores problemas estão nos terminais, que não têm indicações para a aproximação às plataformas, e também nos pontos espalhados pela cidade. “Se não temos uma pessoa conosco ou alguém para avisar que o ônibus está chegando, perdemos a condução. Precisamos de um aplicativo ou dispositivos sonoros para orientação”, sugere. “O cadeirante e o deficiente visual pagam seus tributos e não tem o seu direito de ir e vir assegurado”, arremata a cadeirante Marise Miranda.

Andar com carrinho de compras ou de bebê é quase missão impossível

 

"Somos invisíveis para a sociedade," diz cadeirante

Calçada da rua Camboriú, esquina com a rua Lages,  no bairro Fazenda, Itajaí

A cadeirante Marise Miranda denuncia que os problemas de locomoção não param por aí. “Quem utiliza a cadeira com tração no braço tem dificuldade porque as calçadas ou ciclovias são irregulares e esburacadas. Para quem usa cadeira motorizada, não há estabilidade. Ainda somos invisíveis aos olhos das autoridades e da sociedade em geral”, lamenta.

“Hoje há mais rampas nos prédios, em locais públicos e  áreas comerciais. Mas temos um longo caminho a ser percorrido até o ideal”, completa a psicóloga Raquel Wegner, que sofreu  poliomielite na primeira infância. “Vejo ainda um desrespeito total com o deficiente e também com o idoso que apresenta dificuldades na mobilidade, na visão ou  na audição”, acrescenta.

Outro ponto destacado por Raquel é com relação aos supermercados. Ela lembra que, tirando algumas redes de maior porte, os locais não são nada inclusivos. “Na grande maioria dos estabelecimentos do gênero, uma simples compra se transforma em um desafio para os portadores de deficiência física e visual”. Entre os muitos problemas por ela elencados estão a falta de carrinhos elétricos que facilitem a locomoção, a colocação de produtos em gôndolas altas e de difícil acesso pelo deficiente e, inclusive, a falta de treinamento dos colaboradores.

Para Alexandre de Freitas, contudo, há mudanças a comemorar. “As novas praças e áreas públicas já têm calçadas padronizadas, os edifícios mais novos são dotados de rampas, elevadores acessíveis,” conclui.

 

Petição pela acessibilidade

Os problemas de acessibilidade resultaram em uma petição online aberta pelo publicitário Alex Sandro Gonzaga Stein para cobrar soluções para a mobilidade nem Itajaí. Entre os problemas apontados no documento estão as más condições das calçadas e o depósito de entulhos e lixo nas vias. “O objetivo é fazer com que a legislação seja cumprida. Tem que  colocar na pauta do legislativo municipal uma audiência pública sobre o assunto,” sugere.

A prefeitura informou que autoriza e fiscaliza as obras por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e que as denúncias de irregularidades devem ser feitas no telefone (47) 3341-6071. “O mesmo se dá com a fiscalização dos ônibus. Os veículos têm monitoramento de câmeras e as imagens podem ser solicitadas”.

A Transpiedade informa que a frota é 100% acessível e todos os elevadores funcionam perfeitamente. Alega ainda que o desenvolvimento de aplicativo ou uso de dispositivos sonoros não constam no contrato com o município e que antes da pandemia a empresa mantinha contato com a Advir para capacitação de motoristas no auxílio de pessoas com deficiência visual.

acessibilidadeitajaicentrocadeirantescalçadaspasseio


Comentários:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.


Envie seu recado

Através deste formuário, você pode entrar em contato com a redação do DIARINHO.

×





3.236.122.9

Últimas notícias

Balneário Camboriú 

Trecho da Alvin Bauer ficará em meia pista da noite de domingo até segunda

Coronavírus

Santa Catarina tem 14.033 vítimas fatais

Evento gratuito

Semana do MEI 2021 vai auxiliar pequenos negócios catarinenses

Santa Catarina

Moisés volta ao comando de SC e anuncia retorno de secretários

Navegantes 

Carro largado em terreno baldio pegou fogo na madrugada 

Até 2025

Neymar renova com o PSG

GP DA ESPANHA

Hamilton conquista 100ª pole position da Fórmula 1

Coronavírus

Santa Catarina continua com 15 regiões em risco gravíssimo à covid

Cemitérios

Lotação é um grave problema na região

Temático

Penha vai ganhar novo parque



Colunistas

Coluna do JC

Dado vacinado

Coluna Animal Humano

A cidade dentro de nós

Jackie Rosa

Às mamães com carinho

Canal 1

Gravações de novelas inéditas continuam superando muitas dificuldades

Na Rede

Na Rede

Via Streaming

“Kidding”

Clique diário

Rumo ao mar

Coluna Esplanada

Cerco oficial

Espaço InovAmfri

Parcerias pela educação

Coluna do Frei Betto

Sansão merece figurar na Bíblia!

Coluna do Janio

Classificação histórica

Coluna Tema Livre

Respeito à vida

Coluna Exitus na Política

Apolítica: virulência

Coluna do Ton

Coluna do Ton

Coluna Fato&Comentário

Colégio São José - 80 anos: “irmãs alemãs” X “irmãs colonas”

Coluna Existir e Resistir

Direito invisível

Artigos

Livros embarcados

Coluna Adjori SC

Economia de Santa Catarina inicia 2021 com confiança e expectativa em alta



TV DIARINHO


Confira os destaques desta sexta-feira



Podcast

Minuto DIARINHO 07/05/2021

Publicado 07/05/2021 21:06



Blogs

Blog Doutor Multas

Dirigir veículo segurando telefone celular pode dar multa?

Blog do JC

Dia D

A bordo do esporte

Inmarsat será pela sexta vez parceira de comunicações via satélite da The Ocean Race

Blog do Ton

Maior importadora de móveis do Brasil abre a primeira loja própria em Santa Catarina

Blog Clique Diário

Dica de fotografia

Blog da Ale Francoise

Ervas do bem para o estresse!

Blog da Jackie

Hering comprou a Arezzo

Bastidores

Um olhar sobre o teatro de escola



Entrevistão

Liba Fronza

"O Navegay traz uma multidão de pessoas, não gera receita financeira e causa uma demanda social muito grande”

Volnei Morastoni

"Estamos vivendo a politização da covid”

Marcelo werner

"Quando o Estado publica um decreto às 11 horas da noite para que no dia seguinte seja cumprido, está faltando sintonia com a sociedade”

Marquinhos Kurtz

“[...} O meu posicionamento é contrário ao fechamento total. Eu acho que nós temos que trabalhar, nós temos que ter cuidado, e as coisas precisam funcionar”



Hoje nas bancas


Folheie o jornal aqui ❯