Matérias | Geral


ITAJAÍ

Conselho denuncia pressão de vereadora em empresa privada

Vereadora do PSC teria exigido que empresa terceirizada demitisse empregados e contratasse aliados políticos; queixa foi ao MP

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]

Vereadora diz que há “picuinha política” nas denúncias (foto- divulgação)


A coordenação do 2º conselho Tutelar de Itajaí encaminhou ofício ao ministério Público pedindo a apuração de denúncias de suposta interferência política da vereadora Christiane Stuart (PSC) no conselho por meio da secretaria de Promoção da Cidadania. A parlamentar é ex-secretária da pasta e está sendo acusada de exigir a contratação de apoiadores políticos dela na empresa privada que presta serviços terceirizados à secretaria. Ela nega todas as acusações.


Conversas que teriam sido gravadas por funcionários e divulgadas em grupos de redes sociais apontam que a vereadora teria atuado pra barrar os pagamentos à terceirizada e até ameaçado o rompimento do contrato, caso não houvesse a demissão de uma lista de empregados pra contratação de seus indicados. Também foram lançadas suspeitas sobre a licitação feita no ano passado, com denúncia de que Christiane, que saiu do comando da secretaria pra concorrer à câmara, seria ligada a outra empresa que disputava o contrato.

Continua depois da publicidade



A empresa De Nantes e Cia ganhou a licitação de R$ 2,1 milhões pra prestação de serviços de limpeza, preparação de alimentos, controle de estoque, motorista e recepção para a secretaria. A terceirizada presta atendimentos pra unidades ligadas à pasta, incluindo os conselhos tutelares. As acusações contra a vereadora circulam há cerca de duas semanas, mas ganharam força com a divulgação de uma das conversas gravadas por telefone.

Na mensagem, uma mulher, que seria esposa do dono da empresa, conta para um dos funcionários que o marido não iria ceder à pressão de Christiane. “Ele prefere parar com o contrato do que ceder as vagas”, diz a mulher no áudio. A exigência seria pela contratação de mais de 40 pessoas, o que envolveria quase a troca total dos 51 atuais empregados da empresa. Ainda teria ocorrido a ameaça de que o contrato não seria renovado com o município após o vencimento.

Vereadora nega

A vereadora se defendeu das acusações em manifestação na câmara,  na terça-feira, destacando que não interferiu em decisões de qualquer secretaria ou empresa. Ao DIARINHO, ela afirmou que as denúncias se tratam de “picuinha política com o PDT” e que os responsáveis terão que responder pelas alegações na justiça.

Continua depois da publicidade



Christiane negou envolvimento com empresas que participaram da licitação e que tenha atuado pra barrar pagamentos ou pedir a demissão de funcionários. "Eu não interferi em nada. Eu construí uma imagem em cima da minha seriedade. Nunca botei os meus pés nessa empresa”, disse.

A parlamentar lembrou que a licitação foi feita na época em que estava no período eleitoral e que não se envolveu nas decisões. Christiane se afastou da secretaria em 31 de março de 2020 pra concorrer como candidata à vereadora. O contrato com a terceirizada foi firmado em 23 de setembro de 2020, com validade até 1º de outubro de 2021.

Contrato pode ser rompido por irregularidades, diz secretário