Matérias | Especial


Natal com amor e cuidados com a saúde

Festejos serão mais íntimos e aliados às novas tecnologias para proteger idosos

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]



Natal de 2020 ficará marcado na história de todos. Com a pandemia de covid-19, estamos aprendendo a ressignificar conceitos e a conviver diariamente com o “novo normal”, que significa uma série de mudanças em nossas rotinas. Velhas tradições, como as grandes festas de Natal em família, ganharam nova roupagem em 2020.


Quem terá uma celebração de Natal bem diferente neste ano é Maria Lori Auth, 93 anos, que sempre reuniu na sua casa em Itajaí seus 11 filhos, genros e noras, com as respectivas famílias para um grande almoço de Natal. Ou seja, quatro gerações, com inúmeros netos e bisnetos, que facilmente ultrapassava a marca de 50 pessoas.

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“Neste ano será muito diferente. As filhas não vêm para o Natal e a vó Maria continuará isolada. Continuará com minha mãe, apenas as duas no apartamento, no bairro São João”, conta a neta Patrícia Auth Werner.

Mas não será a pandemia que fará com que elas passem o Natal em branco. Mãe e filha cearão juntas na véspera e vão curtir um delicioso almoço, só que bem mais íntimo. Isso entre as muitas ligações, fotos e vídeo-chamadas planejadas. “Devido à idade avançada a vó está isolada com minha mãe desde o início da pandemia. Só que ela se adaptou muito bem à tecnologia. As chamadas de vídeo e trocas de fotos pelo WhatsApp hoje fazem parte da rotina dela”, acrescenta a neta.

A jornalista Daiane Maeinchein também mudou a forma de celebrar o Natal. Ela vai reunir o marido Jefferson e as filhas Sofia e Júlia, os sogros e uma cunhada, pois o grupo já se reúne com frequência. “A família do meu sogro costuma se reunir cada ano na casa de um irmão, juntando tios, filhos e os filhos dos filhos. Neste ano, inclusive, seria na casa do meu sogro. Mas depois de muita conversa optaram por não fazer a festa”, acrescenta Daiane. A preocupação é com o bisavô, de 84 anos, e as grávidas da família, que neste ano são duas.

Para o casal Patrícia Flores e Eduardo Dassoler não será diferente. Eles geralmente passavam a véspera de Natal na casa da mãe da Paty, em Florianópolis, e o dia 25 com a família de Dudu em Balneário Camboriú. “Minha mãe costumava reunir filhos, tios, primos para a ceia de Natal. Geralmente eram mais de 20 pessoas. Neste ano minha mãe passará com minha tia e o marido, minha irmã vai ficar em casa com o marido e nós também ficaremos em Itajaí. Ainda estamos decidindo se no dia 25 daremos uma passada ou não nos pais do Dudu”. Vale destacar que a Luli, a filha de quatro patas do casal, está incluída em toda a programação. 

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Obediência às regras de segurança

A família do prefeito Volnei Morastoni (MDB) também vai passar o Natal em grupo reduzido de pessoas. “Nós passaremos o Natal em casa, em família, obedecendo às orientações do ministério da Saúde, estado e município para controle da pandemia de coronavírus. É um momento de confraternização e de reflexão, no qual as famílias precisam estar conectadas com uma energia divina, especialmente neste ano tão difícil que todos nós enfrentamos com a pandemia e que muitas famílias enfrentaram situações delicadas de doença, internação e até óbitos”, diz a primeira-dama de Itajaí, Nausica da Silva Morastoni.

O ex-governador e ex-senador Jorge Bornhausen também comemorará o Natal apenas ao lado dos filhos Paulinho e Fernanda, dos netos e da ex-esposa Déa. “Todos sabemos que devido à idade dos nossos pais, que já passaram dos 80 anos, devemos tomar as devidas atenções. Vamos respeitar o distanciamento social e conversamos principalmente com os mais jovens, que circulam mais, para tomarem essa precaução do distanciamento”, diz Paulinho Bornhausen.

O amor rompe distâncias

A psicóloga Raquel Wegner, a Keka, como é conhecida, tem duas famílias: sua mãe de 91 anos, irmãos e sobrinhos em Balneário Camboriú e a família de Jorge, seu companheiro, no pueblo de Marcos Juarez, em Córdoba, na Argentina. Só que neste ano ela precisou optar por uma das famílias para passar as festas de final de ano. “Natal passado estive com Jorge e minha família argentina, que amo de paixão. Em outros natais eles vieram para cá e neste ano será a primeira vez que passaremos o Natal separados nos 10 anos em que estamos juntos”, conta a psicóloga.

Aqui ela vai organizar uma ceia tradicional para quatro pessoas [ela, a mãe, um irmão e o sobrinho mais velho], enquanto seu companheiro estará com sua família em Córdoba. “Aí combinamos que cearemos todos juntos online, eles lá e eu aqui. Com direito a brinde, abraços, beijos e muita troca de carinho, mesmo que à distância”, conta Keka. A psicóloga não está satisfeita com essa realidade, mas diz que o momento exige lucidez, “sempre tendo a clareza que nesta realidade não pode ser de outra forma, mas com a esperança que surjam em breve novas maneiras, novos momentos”.

Ela diz ainda que o “novo normal” mudou as formas de relacionamento, mas diz que é perfeitamente possível manter uma relação à distância nestes tempos tão difíceis. “O amor é o amor e se ele realmente existe, é possível. O fato de estarmos vivos diante de tudo o que vem acontecendo, termos passado ilesos por todo o período de desconhecimento a respeito da doença logo que ela surgiu, é um grande motivo de celebração”, acrescenta.

Natal em terras distantes

O Natal de Eduardo (Duda) Muller neste ano também será diferente. Ele reside atualmente com a esposa Fabiana e os filhos Dudu e Manu em Winter Garden na Flórida. Desde que se mudou para os Estados Unidos, quando não vinha passar as festas de final de ano em Itajaí, os familiares iam para os EUA. Só que devido a pandemia, as comemorações ficarão limitadas aos quatro membros da família. “Diante de toda essa realidade tornou-se muito perigoso viajar. Então optamos por lugares mais isolados para passar o Natal e os passeios neste ano também serão em locais com menos pessoas, mas, não vamos deixar de comemorar. Inclusive tem previsão de neve para o Tennessee e, quem sabe, essa não é a oportunidade de passarmos um Natal na neve,” diz Duda.

Alexandre Santos é outro itajaiense que reside atualmente na Flórida, em Winter Garden, e que gosta de comemorações tradicionais e casa sempre cheia. Só que neste ano ele e a esposa Dani comemorarão o Natal na companhia dos filhos Vini e Camila, mais dois casais de amigos. Claro que tudo dentro de rígidos protocolos de segurança.

Alexandra Valéria Vieira, que comemorava as festas de final de ano com a família toda reunida em Itajaí [com direito a tios, muitos primos, sobrinhos e agregados], optou por passar o final de ano na pacata Figueira da Foz, em Portugal. E as comemorações serão restritas a ela, o companheiro Augusto, sogro e sogra. O momento é de protegermos a nós e aos que amamos”, diz. 

Já para a veterinária Fernanda Sedrez, de Itapema, a pandemia impediu um Natal em família na concorrida Miami, na casa do irmão, que administra os negócios da família nos EUA. “Mas como está difícil para os brasileiros entrarem nos Estados Unidos agora, eles ficarão sozinhos lá, minha irmã de São Paulo também não vem com a família. Nos reuniremos apenas duas irmãs com os respectivos maridos e filhos com meu pai e minha mãe. Isso porque nos reunimos sempre”, conta Fernanda. Será uma comemoração com oito pessoas, ao contrário de anos anteriores, com toda a família e amigos.

Ceias menores e com muitas frutas

O isolamento social também deve mudar o estilo das ceias natalinas. Os enormes perus devem dar lugar às aves de menor porte, as guarnições vão aparecer em menores variedades e quantidades, assim como os doces de Natal, que poderão ser feitos em porções individuais.

“O que não podemos, de forma alguma, é acabarmos com a tradição natalina,” opina a chef de cozinha e professora do Curso de Gastronomia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Luciana Wendhausen Krause Bernardes.

A especialista diz que os perus podem ser perfeitamente substituídos por aves de menor porte, descarta a necessidade de mais de uma proteína animal nas ceias de Natal e defende a permanência das farofas, das frutas in natura e compotas e das castanhas e frutas secas.

Agora, para quem não abre mão da tradição do peru, mas terá um número reduzido de convidados, tem os cortes, comprados separadamente, a exemplo das coxas e sobrecoxas e peito da ave.

“Porém, o corte tira o charme, pois a tradição pede a ave recheada, mesmo que seja um simples frango desossado ou mesmo com osso”, acrescenta Luciana.

Para passar as festas em segurança

A indicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é para não realizar as reuniões familiares tão tradicionais nesta época do ano. No entanto, isso vale especialmente para núcleos familiares que não moram na mesma casa.

Para o médico infectologista Raphael Alexandre, da secretaria de Saúde de Itajaí, a forma mais segura de comemorar o Natal e o Ano Novo é em casa, evitando aglomerações. “Recomenda-se que só participem da confraternização de fim de ano membros da mesma família e que residam na mesma casa. Quanto mais pessoas e de diferentes núcleos familiares envolvidos, maior a chance de contaminação”, explica.

Para famílias que já estão em convívio diário, a confraternização pode ser realizada, desde que seguindo os cuidados de higienização ao voltar da rua, por exemplo, adotados desde o início da pandemia. Alguns cuidados precisam ser redobrados, principalmente se pessoas de grupo de risco estiverem no mesmo local.

“Este será um fim de ano muito diferente daquele que todos gostaríamos de ter, mas é preciso encontrar um equilíbrio entre o desejo de estarmos todos juntos e a necessidade de medidas protetivas que a pandemia e, especialmente, o aumento do número de novos casos no país, nos coloca. Por isso, é muito importante que as pessoas tenham informações corretas e sigam as recomendações”, alerta a presidente da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade Lima.

Pra orientar sobre como diminuir os riscos de transmissão da covid-19 durante este período, a Fiocruz sistematizou um conjunto de recomendações que orientam sobre formas mais seguras de passar o Natal e o réveillon.

Entre as recomendações da cartilha estão limitar o número de convidados de acordo com o tamanho da casa, mantendo distância de dois metros entre si. Todas as pessoas devem usar máscaras; evitar música alta para que as pessoas não tenham que gritar ou falar alto. Dar preferência a locais abertos ou bem ventilados. Evitar o uso de ar condicionado e evitar filas para se servir. As pessoas não devem sentar todas juntas na hora da ceia. Organize as mesas conforme as pessoas que que moram juntas; tenha sabão e papel pra secar as mãos nos banheiros – evite o uso de tolhas de pano. O álcool em gel deve estar em todos os ambientes e as lixeiras devem ser com pedais.

Segundo o médico infectologista, Raphael Alexandre, os cuidados devem começar limitando a quantidade de pessoas convidadas a no máximo 10 participantes. Também deve ser escolhido um local arejado e de preferência ao ar livre, e com tempo reduzido de duração da confraternização. Também deve-se ter cuidado no preparo e manuseio da comida para evitar contaminações. Pessoas que integram os grupos de risco devem evitar esses festejos.



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