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Itajaí

Na faxina do governo Dilma, cai o sétimo ministro

Desde junho, a cada 25 dias a presidente perde um chefão de ministério. E as quedas vêm sempre depois de escândalos

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Nunca antes na história deste país tantos ministros pediram pra sair. Tudo por livre e espontânea pressão. A fórmula é padrão: surge uma denúncia, vira escândalo, o ministro se defende, se diz vítima, a presidente finge que acredita, o povo reclama. E aí, num surto de altruísmo, o bagrão diz que, mesmo sendo inocente, prefere deixar o posto pra não comprometer o governo. E nos últimos seis meses, Dilma Rousseff (PT) – que já pegou a fama de faxineira dos ministérios – silivrou de sete ministros. O último foi no finde. Carlos Lupi (PDT) resistiu por um tempo, mas pediu pra sair.


 

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O brizolista pediu o boné durante uma reunião no início da noite do último domingo. Em nota oficial, Lupi, que comandou o ministério por quase cinco anos, se disse vítima de perseguição política. “Saio com a consciência tranquila do dever cumprido, da minha honestidade pessoal e confiante por acreditar que a verdade sempre vence”, informou através do saite da pasta. Ele não aguentou o tranco depois de uma série de denúncias. A primeira, que explodiu no mês passado depois de uma reportagem da revista Veja, foi de um suposto esquema de extorsão dentro do ministério do Trabalho.

O secretário-executivo Paulo Roberto Pinto deve assumir o ministério em caráter temporário, já que no mês que vem a presidente pretende fazer uma reforma ministerial – o que significa um faxinão generalizado. Resumindo: nenhum dos bambambãs de Brasília tá livre do vassourão da Dilma.

07/06/11

Antonio Palocci (PT)

Casa Civil

Depois de 23 dias relutando, ele pediu pra sair. O rolo começou logo após denúncia de que Palocci multiplicou por 20 o patrimônio dele entre 2006 e 2010 – período em que foi deputado federal e, ao mesmo tempo, fazia consultoria particular.

06/07/11

Alfredo Nascimento (PR)

Ministério dos Transportes

Pediu pra sair depois que teve o nome envolvido num escândalo de superfaturamento de obras, fora o recebimento de propina através dos servidores e órgãos ligados à pasta.

04/08/11

Nelson Jobim (PMDB)

Ministério da Defesa

Este morreu pela boca. Primeiro Jobim afirmou ter votado em José Serra (PSDB) na última eleição. Depois de confessar a “traição na urna”, ele atacou companheiras de trampo. Disse que a ministra das Relações Instituições, Ideli Salvatti (PT), era “fraquinha” e que Gleisi Hoffman (PT), que substituiu Palocci na Casa Civil, nem conhece Brasília.

17/08/11

Wagner Rossi (PMDB)

Ministério da Agricultura

Depois de um monte de acusações contra ele – de pagamento de propinas até influência de lobistas – Rossi pediu pra sair. Outra denúncia que repercutiu foi de que ele viajou um bocado de vezes num avião de uma empresa de agronegócios. Mas ele disse que só pegou carona.

14/09/11

Pedro Novais (PMDB)

Ministério do Turismo

A gota d’água foi no começo de agosto, quando uma operação da polícia Federal (PF) prendeu 35 pessoas do ministério do Turismo, incluindo o secretário-executivo da pasta, Frederico Costa. Novais também foi acusado de pagar o salário de sua governanta com dinheiro público por sete anos.

26/10/11

Orlando Silva (PCdoB)

Ministério do Esporte

Depois que um policial acusou Orlando Silva de participar de um esquema de fraude nos recursos do programa Segundo Tempo, ele não resistiu nem duas semanas no comando do ministério. Onze dias depois da denúncia, o comunista pediu pra sair.

Como os prefeitos da região agiriam se o escândalo fosse com abobrão do seu governo?

Edson Periquito (PMDB) Balneário Camboriú

“Eu não costumo trabalhar com hipótese, suposição ou condenação antecipada. Já fui camelô, construí minha vida profissional sempre confiando nas pessoas. E acertei mais do que errei. Se a pessoa me disser que prova a inocência, fico do lado dela. A não ser que a situação seja flagrante, que não deixe dúvidas.”

Jandir Bellini (PP) Itajaí

“Se não provou a inocência, sou da opinião do afastamento do cargo. Pra mim, o primeiro dos motivos pra uma demissão é o desvio do recurso pra benefício próprio. Depois, a falta de competência. Não dá pra ter um secretário se ele não corresponde à responsabilidade que o cargo público exige.”

Luzia Coppi Mathias (PSDB) - Camboriú

“Os meus secretários sabem disso: se eu souber de denúncias devidamente fundamentadas e comprovadas, não ficam trabalhando comigo. Por outro lado, não dou ouvido pra comentários com interesses político-partidários contra meus secretários. Aí eu viro uma leoa pra defender eles!”

Roberto Carlos de Souza (PSDB) - Navegantes

“Graças a Deus eu tô no terceiro ano de mandato e ainda não aconteceu nada disso – espero não morder a língua! – mas, se eu tivesse nessa situação, primeiramente iria verificar e, se fosse verdade, demitiria o secretário. Qualquer deslize ético ou falta de competência seria motivo pra eu demitir”


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