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Dengo-dengos imploram por rodovia mais segura

Em novo protesto, moradores, entidades e empresários de Navega pedem fim das mortes na 470. Nove foram pro caixão este ano

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

“A gente sai de casa e não sabe se vai voltar”. O desabafo de Valdete Medeiros, 45 anos, moradora do bairro Jardim Paranaense, às margens da BR-470, em Navega, resume o sentimento dos cerca de 200 dengo-dengos que pararam por uma hora o quilômetro 3 da rodovia, no último sábado dimanhã. O protesto, denominado “Manifesto pela Vida”, juntou moradores, representantes de igrejas, políticos e autoridades locais pra reivindicar mais segurança na rodovia que já foi palco de nove mortes este ano só no trecho navegantino. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanhou o manifesto, que formou cerca de seis quilômetros de filas. A pista foi liberada por volta de 11h20.


 

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Já são vários protestos e reuniões pra tentar chamar a atenção do governo federal sobre a condição da BR-470. Um dos organizadores do manifesto, o pastor e vice-presidente do Conselho de Pastores de Navegantes (Copan), Robson da Silva, garante que os dengo-dengos não vão cansar tão cedo. “Estamos mostrando para o poder público que isso é um pedido de toda a comunidade. Já são nove mortes em 2011 e isso não pode ser ignorado. O Dnit [departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes, órgão que coordena as alterações nas rodovias federais do país] já sinalizou com a duplicação da BR-470, mas não sabemos quando isso vai acontecer. Queremos uma ação em curto prazo e vamos continuar protestando até conseguirmos”, afirma o pastor.

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De acordo com o prefeito da city, Roberto Carlos de Souza (PSDB), uma das soluções pra evitar os acidentes na região, a duplicação da rodovia, ainda deve demorar muito tempo pra se tornar realidade. “Me encontrei com a diretoria do Dnit há 10 dias e eles me disseram que a licitação da duplicação só deve sair no final de 2012. Então, nós devemos pressionar o governo federal de todas as formas pra que algo seja feito o quanto antes”, diz o mandachuva.

O protesto durou cerca de uma hora. A BR-470 chegou a ser liberada por poucos minutos, pra passagem de um ônibus de viagem, mas voltou a ser fechada logo em seguida. “Um efetivo da PRF de Blumenau veio acompanhar a manifestação para avaliar se as filas formadas estavam muito grandes, mas felizmente tudo ocorreu sem problemas”, avalia o inspetor da PRF Agnaldo Nunes.

Medo e tragédia

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Parentes de vítimas da insegurança na rodovia também foram pedir ações do poder público. “Perdi meu irmão no mês passado. Ele estava de moto e bateu em um carro que cortou a BR-470. Isso é normal acontecer aqui, e só vai parar, ou pelo menos diminuir, quando construírem uma rotatória na entrada do bairro Pedreiras”, conta Rafael Formento, 24, que perdeu o irmão mais velho, Manoel Formento Jr, 33, no último dia 20 de novembro.

A dona de casa Valdete Medeiros mora às margens da rodovia e conta o cuidado que tem com os três filhos pequenos por causa do tráfego na via. “Essa pista é muito ruim. Sempre tem motorista desrespeitando a sinalização e causando desgraça. Meus filhos são pequenos e não os deixo sair de casa sozinhos. Quem é adulto já sai de casa sem saber se vai voltar, imagina uma criança”, diz.

Bloqueio da BR ganhou apoio até dos motoras prejudicados com a manifestação

O “Manifesto pela Vida” recebeu apoio até mesmo de quem foi diretamente afetado pelo bloqueio da rodovia. O consultor comercial Hans Kraus, 62, estava indo de Blumenau pro aeroporto de Navega quando foi surpreendido pelo protesto. “Moro em São Paulo e vim a trabalho pra Blumenau. Meu voo é às 12h. Mas a manifestação é legítima e dou total apoio”, contou Hans, que teve que dar meia-volta e pegar a rotatória que dá acesso ao bairro Machados pra não perder o avião.

Quem não teve pra onde fugir foi o caminhoneiro Edmilson Bloemer, 33, que precisava pegar uma carga na Portonave e teve que esperar a liberação da pista. “Tenho que carregar o caminhão e não tem outro jeito senão esperar. Mas já passei várias vezes por aqui e sei que este trecho da BR-470 é bem perigoso. Tomara que a manifestação dê resultado”, apoia.

Os acidentes, a maioria por imprudência dos motoras, é um problema grave da rodovia. Lidar diariamente com a consequência desse problema não é tarefa fácil. O soldado do Corpo de Bombeiros de Navega Anderson Furtado, 37, explica que as principais vítimas são os motociclistas. “Infelizmente, muitos motoristas não respeitam a sinalização e acabam provocando acidentes. Frequentemente atendemos ocorrências aqui na região e os motociclistas são as principais vítimas”, revela o vermelhinho.

É por esse risco que passam os dengo-degos do motoclube Anjos da Liberdade, que já perderam um integrante pra imprudência de outros motoras na pista. “O motociclista precisa dirigir por si e pelos outros. Aqui, a situação é ainda mais preocupante, pois sempre andamos com medo. Um amigo nosso faleceu no trecho perto da ponte, há três anos”, lamenta o presidente do motoclube, Fernando Souza, 37.


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