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Itajaí

Quatro pessoas se matam na região em menos de 24 horas Quatro

Só no IML de Itajaí já passaram 33 corpos de suicidas este ano. Seis deles só nos primeiros 15 dias de dezembro

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Quatro pessoas se mataram na região num intervalo de menos de 24 horas. As desgraças rolaram em Itajaí, Navegantes, Camboriú e Tijucas. Os casos, que aconteceram entre terça-feira à noite e quarta-feira, reforçam uma triste estatística: dezembro, que é o mês das confraternizações, é a época do ano em que mais pessoas tiram a própria vida.


 

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Só no IML de Itajaí, que atende as citys de Navega, Penha, Balneário Piçarras, Ilhota, Luís Alves e Barra Velha, apareceram nos últimos 15 dias seis corpos de suicidas – o mesmo número de todo o dezembro do ano passado.

Dos quatro suicídios, o que mais fez a polícia quebrar a cabeça foi o do porteiro João Carlos Silva, 58 anos. Ele foi encontrado às 7h30 da matina de ontem na praia central de Navega, na altura da rua José Salentim de Freitas. Ele estava com dois tiros, um no queixo e outro na cabeça. O trabuco usado tava embaixo do corpo.

Os técnicos do instituto Geral de Perícias (IGP), depois de analisar o local e o corpo, descartaram a hipótese do porteiro ter sido assassinado. Pelo que tudo indica, João disparou dois tiros, já que o primeiro não surtiu o efeito que queria. “Ele atirou abaixo do queixo e a bala saiu pela boca. Ele imaginou que fosse sair pela cabeça. Depois é que ele atirou contra a cabeça”, acredita uma técnica do IML peixeiro.

Embaixo do corpo do porteiro foi encontrado um revólver calibre 38 carregado com quatro balaços. A arma foi levada para ser periciada para que se possa ter certeza de que foi ela mesmo a utilizada para tirar a vida de João.

A polícia e os peritos suspeitam que o crime tenha ocorrido entre a noite de quarta-feira e a madrugada de ontem. João, que era de Itajaí, tava passando uns dias na casa de um filho, lá em Navega. Saiu de noite alegando que ia dar uma volta.

Um comerciante que mora na avenida Cirino Adolfo Cabral, bem pertinho de onde o corpo de João foi encontrado, disse ao DIARINHO que não escutou nenhum barulho parecido com tiros entre a noite de quarta-feira e a madruga de ontem. Pra ele, a história de suicídio não bate. Pro comerciante, não havia como o cara dar dois tiros contra o próprio rosto. “No primeiro tiro, ele já teria caído. Ele foi assassinado, pode escrever”, opinou.

Depressão leva dois a se enforcarem

Dois homens se mataram enforcados entre a tardinha de quarta-feira e a manhã de ontem. Um deles foi em Camboriú e outro em Tijucas. De janeiro a outubro deste ano, 12 corpos de suicidas passaram pelo instituto Médico Legal (IML) do Balneário Camboriú, que também atende Camboriú, Tijucas, Itapema, Porto Belo e Bombinhas.

O armador de ferragens Geraldo Luís Pereira, 44 anos, foi o primeiro a tirar a própria vida. Ele foi encontrado na quarta-feira, enforcado por um fio amarrado no caibro da sua casa, na rua Margarida número 224, loteamento Conde Vila Verde, no bairro Monte Alegre, em Camboriú.

O corpo foi encontrado às 18h30. Os bombeiros foram chamados numa tentativa desesperada de salvar o coitado, mas ele já tinha ido dessa pr’uma melhor. Os familiares e vizinhos contaram pros tiras que Geraldo já sofria de problemas de depressão. Ele era casado, mas tava se separando.

Os policiais também notaram que não houve violência contra o operário. O corpo foi retirado pelo pessoal do IML e vai passar pela necropsia. Mas, pra polícia, o caso tá sendo tratado como suicídio por enforcamento.

Velhinho tinha câncer

O outro enforcado foi o aposentado Vilson João Fontanela, 65 anos, que morava na estrada geral do bairro Itinga, interior de Tijucas. O velhinho tava com câncer e teria desistido de lutar pela vida.

A mãe e uma irmã do aposentado contaram à polícia Civil que chegaram no quarto às 8h45 e assim que abriram a porta viram Vilson pendurado pelo pescoço por um fio de luz amarrado no caibro. Ele ainda se debatia quando elas apareceram.

As duas mulheres, mesmo idosas, cortaram o fio e chamaram os bombeiros. Mas era tarde demais. Seu Vilson morreu antes mesmo de receber o atendimento dos socorristas. O corpo foi levado pro IML do Balneário.

A família do velhinho contou aos homidalei que ele tava depressivo desde que se aposentou. A coisa piorou quando descobriu que tava com câncer no estômago. Sua deprê se manifestou com mais força nos últimos dias, quando caiu de vez e se recusava até mesmo a tomar os remédios.

Abriu o peito com uma faca de cozinha

O bairro Espinheiros, em Itajaí, também foi palco de um suicídio. Na noite de quarta-feira, Luís Carlos G., 46 anos, rasgou o próprio peito com uma faca de cozinha. Fez isso pouco antes das 21h em sua casa, na rua Cypriano dos Santos.

Quando os parentes se deparam com Luís estirado no chão, em meio a uma poça de sangue e com um buracão no peito, pensaram que ele estava morto. A polícia Militar e os técnicos do instituto Médico Legal (IML) foram chamados. Quando as otoridades chegaram, Luís ainda estava vivo. Mas não houve nem tempo de ser socorrido pelos bombeiros. Deu seu último suspiro logo em seguida.

Foi um cunhado de Luís o primeiro a vê-lo estirado no chão. Ele contou pra polícia que Luís era viciado em álcool e drogas.

Depressão e alcoolismo tão relacionados ao suicídio

O doutor em psicologia Eduardo Legal, professor de psicopatologia da Univali, diz que três fatores tão geralmente associados ao suicídio. “Geralmente há a depressão, existe também a esquisofrenia (uma doença mental) e há ainda o alcoolismo”, afirma.

A motivação do suicídio também muda conforme a faixa etária. Na juventude, por exemplo, a rapaziada costuma tirar a vida durante um arroubo de emoção forte, como ciúmes, um rompimento de relacionamento ou brigas. “Na fase adulta é mais comum com problemas relacionados à situação de vida, como problemas financeiros, a depressão e a própria esquisofrenia”, exemplifica. Na velhice, diz ainda o dotô, a motivação costuma ter relação com problemas de saúde, financeiros ou sentimentos de solidão.

Como perceber um potencial suicida

A família e amigos devem ficar ligados em sintomas que podem indicar uma fase suicida. O isolamento social é um deles. “A pessoa se retira e não quer mais fazer parte da vivência do seu grupo social”, ensina o professor. Além disso, os suicidas costumam perder a vontade de fazer as coisas que até então lhes eram prazerosas e costumam ter rompantes de impulsividade, como atitudes agressivas ou crises de choro.

Ligue pro CVV

Se você tá maus ou tá vendo que alguém conhecido tá pra baixo, não pense duas vezes e ligue pros voluntários do centro de Valorização da Vida (CVV). Em Itajaí eles atendem pelo telefone 3349-4111. Também dá pra marcar uma conversa no téti-a-téti.

 


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