Matérias | Especial


Itajaí

A arte de manter viva a verdadeira tradição de Natal

A história da artista plástica que já fez mais de 150 presépios e que tem obras espalhadas pelo mundo inteiro

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Enquanto muita gente acredita que arte de Natal são as guirlandas, luzes e papais noéis estilizados, a artista plástica Sônia Peres, 59 anos, prova que dá para manter a tradição e fazer peças de encher os olhos. Ao longo das três décadas dedicadas à arte, ela já confeccionou mais de 150 presé­pios, usando dos mais variados mate­riais possíveis: desde a palha de milho até recicláveis. Há 13 anos, aprendeu uma nova técnica, a lapinha, que re­sulta em trabalhos cautelosamente confeccionados com as mãos.


 

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Hoje as obras de arte em presé­pio estão todas expostas na Casa da Cultura Dide Brandão, espaço onde Sônia se dedica há 26 anos, coman­dando variados cursos ligados às artes plásticas. Ela só lamenta que a tradição esteja se perdendo ao longo dos anos. “Infelizmente, quando mi­nistro curso de presépio nunca vem um jovem fazer. Geralmente só apa­recem senhoras. E é uma pena, por­que o presépio representa a essência do Natal”, destaca a artista.

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Se Sônia tem razão quanto aos jovens ignorarem o assunto, vale abrir um parêntese para expli­car. O presépio, pelas crenças cristãs, é o cenário do nascimento de Jesus na gruta em Belém remontado com imagens. Conta a bíblia que José e Maria procuravam um lugar para passar a noite, como ninguém abriu as portas eles se abrigaram numa ca­bana de animais. E o menino Jesus nasceu numa manjedoura, cercado por bichos – por isso, dentre os itens do presépio há imagens de animais, como o burro e a vaca. Ainda com­põe a cena os três reis magos, que foram guiados pela estrela-guia, e o anjo que anunciou a chegada do fi­lho de Deus.

Como começou...

Sônia é carioca, mas chegou em Itajaí há 28 anos. E por aqui ficou. Desde então, desenvolve trabalhos de resgate à cultura açoriana, tão presente no litoral catarinense. Em 2006, a artista recebeu o prêmio da universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na categoria artes plásticas açoriana. Depois, recebeu o convite para viajar para Portugal, onde conheceu na teoria o que já dominava na prática – a técnica da lapinha, que usa para confeccionar seus presépios.

Hoje a arte de Sônia já está es­palhada pelo mundo afora. Vários presépios foram vendidos para ad­miradores dos mais diversos países. E ela sabe o paradeiro de cada uma das obras. Como reconhecimento, Sônia faz parte da liga mundial de Presepistas e embarca em setembro do ano que vem para a Áustria, onde acontece a reunião do grupo que luta para manter a tradição, remontando o cenário do nascimento de Jesus com obras de arte de encherem os olhos. “Arte de Natal não é só Papai Noel. Você encontra no R$ 1,99 coi­sas lindas, mas tudo da China, tra­balho escravo. As minhas peças eu também comercializo, mas dá tanto trabalho que eu acabo ficando com pena de vender”, salienta Sônia.

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O orgulho que ela tem do ofício é tão grande quanto a paciência que tem ao produzir as obras. As peças que compõem os presépios feitos por Sônia se misturam a cenas do cotidia­no do município. Além de recriar o que aconteceu em Belém, há mais de dois mil anos, a presepista constrói os cenários mais famosos de Itajaí e mis­tura ao presépio. Tudo em tamanho minúsculo, mas com detalhes tão perfeitos que os olhos até teimam em não acreditar que seja possível cons­truir aquelas obras manualmente. No entanto Sônia diz que, para que as peças estejam prontas para expor no Natal, passa o ano todo confeccio­nando cada bonequinho.

Cheia de projetos

Enquanto as pessoas ainda pres­tigiam a exposição dos presépios de lapinha, Sônia já vislumbra o próxi­mo passo. Ela está cheia de planos. “Minha próxima luta é conseguir fa­zer um presépio em tamanho natural no ano que vem, na frente da Casa da Cultura. Vai dar um trabalhão, mas vai valer a pena”, revela, já com os olhos brilhando só de pensar na possibilidade. Ela diz que o fascínio pelo presépio vem da infância, por ter estudado em colégio de freiras e por achar (ainda hoje!) que não se deve abandonar a verdadeira essên­cia do Natal.


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