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Itajaí

30 crianças somem por dia na praia Central

Com a chegada do verão, pais e responsáveis precisam ter atenção redobrada com os pimpolhos na orla

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

As dezenas de praias espalhadas pelo litoral centro norte catarinense são invadidas pela criançada na temporada de verão. Mas pra essa turma, nem tudo é diversão e alegria. A praia esconde armadilhas perigosas pros pimpolhos na estação em que elas estão mais felizes – pelas férias e porque podem curtir o mar. O descuido dos pais e à imensidão do mar e da areia, com o agravante do formigueiro humano que se forma na orla, fazem com que os pequenos se percam. Somente em 2010, foram 1800 sumiços na praia Central de Balneário Camboriú. Mas o susto foi momentâneo, pois todas as crianças foram encontradas.


 

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Nesta semana, com a chegada de milhares de turistas na região, o risco de crianças andarem perdidas pela areia aumenta. Por isso, os cuidados dos pais devem ser redobrados, assim como o trabalho dos bombeiros. O “Auê na Praia” foi a Balneário Camboriú, na praia Central, pra entender o motivo de tantos meninos e meninas se perderem. Conhecemos também o programa de distribuição de pulseiras de identificação pras crianças, realizado pela secretaria do Meio Ambiente da Maravilha do Atlântico. Em Itajaí, como as praias não são extensas, o problema rola menos do que na cidade vizinha.

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Palmas ajudam a encontrar os pequenos em Itajaí

Em Itajaí, as praias de menor extensão são aliadas da criançada pra elas não se perderem. Na praia de Cabeçudas, os pais também demonstram mais atenção com os filhotes. Mesmo assim, vez por outra, rola de algum pequeno não encontrar os velhos depois de um mergulho ou de uma brincadeira. Nesse momento, como também rola em Balneário, a solidariedade entra em cena com o povão batendo palmas pra alertar os responsáveis pela criança. “A batida de palmas representa a união de todos. Isso ajuda a achar as crianças mais rápido”, atesta Milton Carlos de Andrade, 46 anos, dono de uma barraca de milho em Cabeçudas.

A bateção de palmas é uma tradição em Balneário Camboriú e Itajaí. Alguns dizem que isso começou com os argentinos. Independente se foi ou não, as palmas, que consistem em alguém pegar na mão da criança e todas em volta baterem as mãos pra chamar a atenção dos pais, já ajudaram muito pequeno a encontrar os responsáveis rapidamente. Que o diga o autônomo Jonatas de Paulo Matos, 27. Foi através das palmas, que ele não ficou nem três minutos longe da filha. “Foi um momento de desatenção, só que antes de eu perceber as palmas me alertaram e eu a achei”, revela.

Precaução. Se você tiver isso será difícil perder o seu filhote na praia. Conhecendo o mar pela primeira vez, na última sexta-feira, Renan Cirino Costa, 8 anos, vindo de Campo Mourão/PR, dá a dica pra criançada ficar mais segura. “Eu não vou sair de perto do meu pai, porque eu tenho medo de me perder”, diz, com a emoção estampada no rosto, afinal, o mar está logo ali.

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Coronel afirma que cerca de 1800 crianças se perderam na última temporada

O comandante do 7° batalhão de bombeiros Militar da região, coronel Onir Mocelin, afirma que, de dezembro de 2010 ao final de fevereiro de 2011, aproximadamente 1800 crianças desapareceram na praia Central, em Balneário. Pelo menos, todas foram encontradas, mesmo que algumas, até 12 horas depois de terem sumido. Isso, segundo Mocelin, dá uma média de 20 a 30 crianças que se perdem diariamente no verão. “As crianças são muito distraídas e com a praia cheia, uma distração de 10 segundos já faz com que a criança se perca, pois ficam desorientadas”, aponta.

Mocelin diz que os pais devem ficar atentos a essas distrações. Além de, no caso de sumiço, procurar preferencialmente na areia. “A criança que se perde não entra na água e nem vai pra rua. Ela fica na areia caminhando, porque sabe que é por ali que estão seus pais ou responsáveis”, comenta. O coronel calcula que cerca de 100 mil pequeninos vão circular pelas areias da praia Central esta semana. Portanto, ele recomenda que os pais, ao chegarem na praia, já providenciem a pulseira pros filhos, mantenham 100% de atenção e não encham a cara. “Assim é possível evitar os incômodos”, conclui.

Garoto conta o apavoro que é se perder na areia da praia

Aquela tarde não vai sair tão cedo da cabeça de Matheus Rafael Antunes. Em 2009, o garoto, hoje com oito anos, aproveitava a praia Central, na altura da rua 3000, como a maioria das crianças: brincando de castelo na areia e se refrescando na água. Tudo ia bem, até que sua babá foi comprar um lanche na calçada e o pequeno seguiu pra lavar as mãos na água. A praia estava cheia. Na hora em que voltava pra lanchar, Matheus não encontrou nem sinal da mulher que cuidava dele.

O pequeno garante que não chorou, mas ficou assustado e nervoso. “Não sabia o que fazer. Pedi ajuda pra moça do milho e as outras pessoas começaram a bater palma. Demorou um tempo, mas consegui achar a tia”, conta, brincando na areia de novo. Depois do ocorrido, Matheus só vai a praia com seus familiares. No calor da última sexta-feira, sua irmã não saía do seu lado. Ele, esperto, aprendeu que também deve ficar por perto. “Hoje me cuido melhor, porque não quero me perder de novo. É muito ruim não encontrar ninguém que eu conheço”, sentencia.

Distribuição de pulseiras tenta frear o problema em Balneário

À frente do programa das pulseirinhas, o monitor chefe Jocarha Hannibal, 31 anos, explica que a praia Central foi dividida em cinco cores, que são representadas nas barraquinhas da prefa e nas pulseiras: da barra Sul até a rua 3700, a cor é verde; dali até a rua 2500, é a vez do amarelo; deste último ponto até a avenida Alvin Bauer, a cor é azul; após essa esquina e chegando na rua 1401, o branco é a cor; da rua 1401 até o pontal Norte, o laranja vai estar nas barracas e pulseiras.

Jocarha diz que é triste ver a criançada perdida. Esse é um dos motivos do seu trabalho, que começou junto com o programa, três anos atrás. Pra ele, a inocência dos pequenos somada ao grande número de pessoas na orla favorece os desaparecimentos. “O programa foi criado porque as crianças desaparecem direto aqui. Com isso, nós conseguimos diminuir os casos”, conta, dizendo que na pulseira vai o nome da criança e o telefone dos pais, além de alguns pontos de referência, como bares e hotéis que estejam na linha da areia.

Crianças nervosas e que esquecem até o nome da mãe, em meio ao choro, os soluços e o desespero. Essa é a cena que o guarda-vidas Bruno Fontella, 23, há quatro trabalhando no Balneário, presencia todos os dias na temporada. Pra ele, os maiores culpados são os pais. “Muitos pais são negligentes. Começam a beber e esquecem dos filhos”, acusa.

Vindo do Paraná, Enzo Velani de Souza, sete anos, recebeu sua pulseirinha em mais uma tarde abafada do verão. Cuidadoso, fez questão que o monitor a deixasse bem firme no pulso. “A gente não pode perder né?”, pergunta. Seu pai, Paulino de Souza, 41, ali perto, confirma o que disse Bruno. “Tem pai que não tá nem aí”, observa.

 


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